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Chapter 9: O Passado Reaparece

Rafael confronta Otávio e Juliana com a verdade sobre sua posição acionária e a sabotagem geotécnica, selando a queda dos Albuquerque. Em seguida, encontra sua ex-esposa, Camila, que lhe entrega provas de uma conspiração nacional, elevando o conflito de uma disputa familiar para uma guerra política de alto risco.

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O Passado Reaparece

O ar na sala de reuniões da Construtora Albuquerque, em Florianópolis, era denso, saturado pelo cheiro de café frio e pelo pânico contido. Otávio Albuquerque, outrora o patriarca intocável, caminhava de um lado para o outro diante da vidraça. Estava sem gravata, com a camisa social manchada de suor. Lá fora, a baía de Florianópolis parecia zombar de sua ruína com a indiferença de um espelho azul.

— Você tem cinquenta e um por cento, Rafael. Use isso — a voz de Otávio falhou, um som áspero que revelava a erosão total de sua autoridade. — Ligue para a comissão. A suspensão da licitação hospitalar está nos destruindo. Os investidores exigem a comprovação de liquidez até as catorze horas de amanhã. Se não resolvermos, a orla inteira será confiscada pelo Estado.

Rafael Mendes, sentado à cabeceira da mesa, observava o reflexo do sogro no vidro com uma calma cirúrgica. Ele não se levantou. Não precisava mais.

— Eu sei os prazos, Otávio. Sei também que a página quarenta e dois do relatório geotécnico foi forjada há cinco anos. Dados velhos, números inflados para garantir financiamento público. A comissão descobriu. Não foi um erro de cálculo; foi um crime.

Otávio estacou. Seu rosto, antes vermelho de raiva, empalideceu.

— Então conserte! Você tem influência. Faça a suspensão cair. Eu devolvo a diretoria de operações, eu assino o que for necessário. Apenas... resolva.

Rafael inclinou a cabeça, os olhos estreitos como lâminas.

— Você ainda acha que eu preciso pedir favores? Fui eu quem enviou o dossiê completo para a comissão. Metadados, e-mails, registros de transações. A sabotagem não veio apenas da Vanguarda. Veio de dentro desta sala, com a sua assinatura digital. O jogo acabou, Otávio.

A porta se abriu com um impacto seco. Juliana entrou, o rosto marcado por uma noite sem sono, o envelope pardo em sua mão tremendo levemente. Ela parou a dois metros da mesa, encarando o marido com uma mistura de pavor e traição.

— Você sabia — ela sussurrou. — Desde o começo. Você deixou que a Vanguarda agisse para nos destruir por dentro.

Rafael não se moveu. Ele empurrou uma folha impressa sobre a mesa de vidro.

— Leia a data, Juliana. Esse documento prova que eu já detinha a maioria acionária antes mesmo de seu pai tentar me expulsar como um funcionário descartável. Enquanto ele me tratava como um genro útil, eu estava garantindo o controle da empresa que ele não sabia mais governar.

Juliana leu o documento, seus dedos apertando o papel até os nós ficarem brancos. A realidade da incompetência do pai, disfarçada por anos de arrogância, desmoronou diante dela. Ela desabou na cadeira, o envelope pardo com as provas da sabotagem escorregando de sua mão. O império que ela acreditava proteger não passava de um castelo de cartas construído sobre lama.

Rafael deixou o escritório sem olhar para trás. Ele tinha um encontro marcado no Hotel Fasano. O lobby exalava couro novo e o tipo de silêncio que só o dinheiro absoluto pode comprar. Na suíte presidencial, Camila, sua ex-esposa, esperava de costas para a porta. Ela não se virou quando ele entrou.

— Você está destruindo os Albuquerque, Rafael. Mas eles são apenas peões — disse ela, a voz fria como o mármore do hotel. — Você acha que o Grupo Vanguarda agiu sozinho?

Ela se virou, estendendo um envelope selado com o timbre de um fundo de investimento de Brasília. Rafael sentiu o peso do documento. Era a prova que faltava: o nome do senador que orquestrava a corrupção sistêmica por trás de todas as licitações da região.

— Isso não é apenas sobre a construtora — Camila continuou. — É sobre o poder que você deseja. Se você usar isso, a guerra deixará de ser familiar e se tornará nacional. Você está pronto para ser o alvo de gente que não joga com ações, mas com vidas?

Rafael pegou o envelope. O selo era a chave para o poder absoluto, mas também a marca de uma sentença de morte política. Ele olhou para o mar, o sol começando a se pôr sobre a orla que ele estava prestes a arrebatar. Amanhã, às catorze horas, o martelo da falência cairia sobre os Albuquerque, e ele estaria lá para recolher os espólios e iniciar sua verdadeira ascensão.

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