O Confronto Final
O tilintar do gelo contra o cristal de Baccarat foi o único som na sala privativa do Clube de Negócios. Arthur observava Tio Roberto, que tentava manter a pose de patriarca enquanto ajeitava a gravata de seda, embora o tremor em suas mãos traísse o pânico crescente.
— Você está perdendo a noção do seu lugar, Arthur — disse Roberto, com um riso seco que não alcançou os olhos. — O conselho vai rir de você quando eu contar sobre essa sua tentativa patética de chantagem. Acha que um agregado, um homem sem linhagem, pode ditar regras aqui?
Arthur não respondeu. Ele deslizou uma pasta de couro sobre o mogno. Dentro, o relatório de auditoria detalhava os desvios na filial do Sul, com a assinatura de Roberto em cada contrato de fachada. A cor do rosto do tio drenou, substituída por um tom acinzentado.
— O conselho não vai rir, Roberto — Arthur disse, a voz desprovida de qualquer emoção desnecessária. — Eles estarão ocupados demais decidindo entre a sua prisão por peculato ou a sua renúncia voluntária e o seu voto decisivo a meu favor na aquisição da Viana. O jogo de poder acabou.
Roberto compreendeu que o genro que ele desprezara agora detinha a chave da sua liberdade. Ele acenou, derrotado, selando a traição ao Grupo Viana. Era o primeiro dominó a cair.
Horas depois, no escritório envidraçado do Grupo Viana, Arthur encontrou-se com Celso. O CEO, acreditando que o Restaurante Imperial estava em colapso, exibia um sorriso predatório. Ele deslizou um documento sobre a mesa, uma oferta humilhante de compra.
— O "genro de estimação" finalmente veio buscar o seu prêmio de consolação — zombou Celso. — Assine a renúncia de gestão e garanta o seu futuro antes que o leilão transforme tudo em pó.
Arthur manteve a calma, fingindo hesitação. Ele assinou o termo de intenção de compra, permitindo que Celso se gabasse de seus planos de expansão. Celso não percebeu que, ao fazê-lo, fornecia a Arthur a assinatura necessária para validar a armadilha jurídica que ele vinha montando. Arthur, agora com o controle total das dívidas da Viana, retirou-se com a frieza de quem já havia vencido antes mesmo da batalha começar.
De volta ao Restaurante Imperial, o selo da família repousava sobre a mesa de Arthur. Helena entrou, os olhos carregados de uma urgência que ela mal conseguia esconder.
— Você recusou a oferta deles, Arthur. O que você está fazendo é suicídio financeiro — disse ela, a voz trêmula.
Arthur empurrou uma pasta para Helena: o rastro digital das transferências de Ricardo e Roberto para o Grupo Viana e a prova de que a rede de fast-food que pretendia comprar o legado familiar era uma fachada falida. Ao ver a evidência, Helena compreendeu. O genro não era um peão; ele era o estrategista que protegia o que restava do orgulho Viana. Pela primeira vez, ela viu nele o verdadeiro sucessor.
O ato final ocorreu no hall do restaurante. Marcelo, o CEO da Viana, chegou acompanhado de uma comitiva, esperando selar a vitória. Ricardo, observando de longe, aguardava a humilhação final de Arthur.
— Você é persistente, mas persistência sem capital é delírio — Marcelo disparou, estendendo uma pasta com um suborno astronômico. — Saia da frente, assine esta renúncia e desapareça.
Arthur nem olhou para o cheque. Ele retirou do bolso a notificação formal de aquisição hostil das ações da Viana, agora subvalorizadas.
— O seu capital, Marcelo, acaba de ser absorvido pela dívida que eu comprei — disse Arthur, a voz ecoando pelo hall. — Você não está aqui para comprar o restaurante. Você está aqui para me pedir permissão para sair do prédio.
O silêncio foi absoluto. Marcelo percebeu que o tabuleiro havia mudado de mãos. Ricardo, em choque, viu o homem que ele tentara destruir retomar o controle total. Arthur sinalizou aos seguranças para escoltarem o rival para fora. A vitória estava consolidada, mas, ao olhar para Helena, Arthur percebeu que o verdadeiro teste ainda estava por vir: o testamento que revelaria a extensão do legado que ele fora convocado a proteger.