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Chapter 6: A Queda do Enforcer

Arthur desmascara Ricardo diante do conselho administrativo do Solar dos Lemos, utilizando provas documentais e digitais de desvio de verbas. A revelação força o conselho a destituir Ricardo, enquanto Teodoro tenta salvar a própria pele. Arthur assume uma posição de maior controle, mas descobre que o restaurante está sob a mira de um grupo imobiliário poderoso, preparando o terreno para uma ameaça mais perigosa.

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A Queda do Enforcer

O ar na sala de reuniões do Solar dos Lemos estava carregado, um contraste cortante com o frescor da cozinha onde Arthur, poucas horas antes, havia assumido o controle operacional. Teodoro, o sogro, sentava-se à cabeceira com a pele cinzenta, as mãos trêmulas escondidas sob o tampo de mogno polido. Ricardo, do outro lado, exibia um sorriso forçado que não alcançava seus olhos, mas Arthur não deu tempo para falsas cordialidades.

— A dívida vence à meia-noite — Arthur disse, sua voz ecoando sem esforço no silêncio tenso. Ele deslizou um envelope pardo sobre a mesa, exatamente na frente de Ricardo. — O aporte de Mendes está garantido, mas ele não é um filantropo. Ele é o credor que vocês tentaram enganar com aquele laudo de fundação inexistente.

Ricardo soltou uma risada seca, tentando retomar o domínio. — Você acha que um punhado de papéis impressos muda o fato de que você é um intruso nesta família, Arthur? O conselho não vai aceitar chantagem de um genro descartável.

— O conselho vai aceitar a realidade dos números — Arthur respondeu, mantendo o olhar fixo. Ele não se exaltou, não gritou. Sua calma era uma arma mais letal que qualquer ameaça. — Eu não trouxe apenas o laudo fraudulento. Eu trouxe o registro de transferências da conta offshore que você, Ricardo, abriu em nome de uma empresa de fachada. O dinheiro que deveria ser reinvestido na cozinha ancestral estava, na verdade, sendo drenado para sustentar o seu estilo de vida e o silêncio de seus cúmplices.

Ricardo bateu as palmas das mãos na mesa, o som estalando como um tiro. Seus olhos varriam os conselheiros com uma arrogância cultivada por anos. — Vocês votam como eu ordeno, ou a empresa colapsa até o fim do dia! — disparou ele, o ego inflado pela certeza de sua dominação.

Arthur, porém, já havia avançado para o xeque-mate. Ele jogou um tablet sobre a superfície polida. O brilho da tela revelou transferências bancárias ilícitas para uma conta em paraíso fiscal que Ricardo tentara enterrar. O rosto de Teodoro empalideceu ao ver o próprio nome aparecer como co-signatário em documentos de transferência.

— O jogo mudou, Ricardo — Arthur disse, a voz fria e cortante. — A transferência não foi para um fornecedor, foi para a conta pessoal da sua amante. O enforcer que Ricardo trouxera para intimidar o conselho hesitou, a mão travada a centímetros do ombro de Arthur, ao notar que a segurança da casa agora respondia a ordens novas.

O silêncio na sala tornou-se asfixiante. O presidente do conselho, um homem que até então evitava o olhar de Arthur, finalmente se inclinou para frente, seus olhos percorrendo os números com um horror crescente. Teodoro, vendo que o navio afundava, começou a se distanciar, sua traição sendo revelada não por palavras, mas pelo abandono silencioso de seu aliado mais próximo.

— O conselho votou — a voz do conselheiro mais velho soou seca. — As provas de desvio financeiro apresentadas por Arthur são incontestáveis. Ricardo, você está destituído de qualquer cargo operacional imediato.

Ricardo deu um passo à frente, a máscara de confiança finalmente trincando. Ele tentou apontar para Arthur, mas sua voz falhou ao encontrar o olhar frio e controlado do genro. — Vocês não sabem o que estão fazendo! Esse verme não tem autoridade nenhuma. Ele está apenas manipulando papéis que roubou do servidor!

Arthur não respondeu com insultos. Ele apenas deslizou um novo documento sobre a mesa: a notificação de dívida vencida, vinculada diretamente à assinatura de Ricardo e à conta offshore que o conselho acabara de bloquear. O impacto foi imediato. O conselho, temendo a falência iminente e a exposição de seus próprios erros, votou pela expulsão sumária.

Enquanto era escoltado para fora por dois seguranças, Ricardo se virou uma última vez, o rosto contorcido em uma promessa de violência. — Você acha que ganhou, Arthur? — ele sibilou, os olhos injetados. — Você não sobreviverá à próxima semana.

Arthur permaneceu imóvel, observando a porta se fechar. Ele havia vencido a batalha, mas a guerra estava apenas começando. Ao olhar para o relatório de Mendes, ele percebeu uma nova linha de texto, um detalhe que o conselho ainda não vira: o restaurante não estava apenas em dívida, estava marcado para uma demolição forçada por um grupo imobiliário que operava nas sombras, um grupo que Ricardo servia, mas que agora, sem o seu mediador, viria cobrar a dívida diretamente da fonte.

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