A Nova Aliança
O zumbido no salão do Fasano não era de admiração, mas de uma voracidade que Beatriz conhecia bem demais. O silêncio que se seguiu à sua declaração no palco, sob o brilho frio dos lustres, parecia uma lâmina suspensa. Ela sentia o peso do olhar dos acionistas, uma rede de tubarões em trajes de grife, mas sua mão — firme e fria — permanecia unida à de Rafael.
Ele não soltou. Pelo contrário, sua postura era a de um homem que acabara de queimar os próprios navios. Atrás da cortina de veludo, o chantagista, um homem de meia-idade com olhos de desespero calculado, avançou para eles, ignorando a segurança. Ele ainda segurava o envelope, a última tentativa de extorsão que agora se tornara um documento inútil.
— Vocês cometeram um erro fatal — sibilou o homem. — O conselho não vai perdoar essa exposição. Se pagarem agora, eu desapareço com o restante das provas sobre o garoto.
Beatriz sentiu o sangue gelar, mas Rafael deu um passo à frente, uma barreira física que não admitia contestação. Sem desviar o olhar do chantagista, Rafael retirou do bolso interno do paletó uma pasta de couro: o Projeto Fênix.
— O jogo mudou — disse Rafael, a voz desprovida de hesitação. — Não há m
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