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Chapter 4: O Peso da Herança

Arthur recupera o restaurante após o leilão, mas descobre através de registros contábeis que a traição contra seu pai veio de dentro de seu círculo de confiança. Ele decide infiltrar-se na gala da elite sob uma identidade falsa para atacar a corporação Solaris diretamente.

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O Peso da Herança

O silêncio no Restaurante Valente não era de paz; era de uma ferida aberta. Após o estrondo do martelo de leilão que, horas antes, selara a derrota de Marcos Viana, o salão parecia ecoar o peso dos séculos. Arthur limpava o balcão de mogno com movimentos metódicos, o avental de cozinha servindo como uma máscara que, ele sabia, não duraria muito mais.

Dona Helena entrou, os passos arrastados pelo peso de um segredo que ela carregara por tempo demais. Ela parou diante dele, os olhos fixos na cicatriz em seu antebraço — o mapa de uma vida que ela tentara enterrar sob o serviço de mesa e o aroma de temperos ancestrais.

— Você venceu o leilão, Arthur. Viana está desmoralizado, e a prefeitura terá que reconhecer a escritura original — ela disse, a voz falhando. — Mas você abriu uma porta que não pode ser fechada. A Solaris não é como Viana. Eles não jogam com leis; eles as reescrevem.

Arthur parou. O selo real da família, pesado e frio, repousava sobre o balcão. Ele o girou entre os dedos, sentindo a gravidade do brasão.

— Viana era apenas o cão de caça — Arthur respondeu, sua voz desprovida de qualquer hesitação. — O problema não é a Solaris. O problema é que eles sabiam exatamente onde encontrar a assinatura do meu pai para forjar a venda. Eles tinham acesso aos nossos livros contábeis internos. Alguém aqui dentro entregou a chave do cofre.

Helena empalideceu, o rosto tornando-se uma máscara de cera. Ela caminhou até o escritório e abriu o livro de registros, aquele que continha as transações de sangue da linhagem Valente. Arthur a seguiu, a tensão entre eles estalando como eletricidade estática. Ele folheou as páginas até encontrar a rubrica. O sangue drenou de seu rosto. Não era um estranho. A caligrafia pertencia a alguém que ele chamara de mentor, alguém que estivera ao seu lado no dia em que seu pai desaparecera, prometendo protegê-lo.

— Ele não morreu, não é? — Arthur perguntou, a voz baixa, perigosa. — Ele foi vendido.

Helena não respondeu, mas o silêncio dela foi uma confissão. A traição não era uma ferida externa; era uma gangrena no coração da família.

Arthur não gritou. Ele não quebrou móveis. Ele apenas fechou o livro com um estrondo que pareceu selar uma tumba. A vingança, que antes era uma questão de recuperar um imóvel, transformou-se em uma caçada implacável. Ele precisava de acesso ao topo da pirâmide, onde a Solaris se escondia sob o verniz da filantropia da elite.

Usando os documentos que recuperara do escritório de Viana, Arthur iniciou sua metamorfose. Ele não seria mais o cozinheiro subestimado. Ele se tornou um investidor fantasma, uma entidade sem rosto no mercado imobiliário, manipulando as mesmas alavancas que Viana usara para tentar destruí-lo. Ele garantiu o convite para a gala da alta sociedade, o terreno onde a Solaris operava.

Ao vestir o terno sob medida, Arthur olhou para o selo real uma última vez antes de guardá-lo. Ele estava pronto para entrar na toca do lobo. O traidor ainda sorria para ele todos os dias, mas, a partir daquela noite, o jogo não seria mais sobre sobrevivência. Seria sobre quem detinha o poder de apagar o outro do tabuleiro. O Dragão havia despertado, e a cidade, em breve, sentiria o calor de sua ascensão.

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