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Chapter 7: A Auditoria Final

Arthur utiliza o relatório de auditoria para expor a fraude de Ricardo perante o conselho, forçando a deserção de Mendes e selando o destino do primo com a intervenção da polícia financeira.

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A Auditoria Final

O ar na sala de reuniões da Valente Holding não continha oxigênio, apenas a eletricidade estática de uma catástrofe iminente. Arthur Valente estava sentado à cabeceira, uma posição que, por anos, fora o trono intocável de Ricardo. Agora, o primo ocupava o lugar, mas a postura era a de um prisioneiro aguardando a sentença. A iluminação de LED, fria e impiedosa, destacava o suor que brotava na testa de Ricardo e a palidez de seus dedos, que não paravam de tamborilar sobre o mogno polido.

— O conselho não vai tolerar essa encenação — Ricardo disparou, a voz falhando em sua tentativa habitual de autoridade. — Essas auditorias são peças de ficção criadas para sabotar o comando da holding.

Arthur não respondeu imediatamente. Ele abriu a pasta de couro com uma lentidão calculada. Cada movimento era um lembrete de que o tempo de Ricardo havia se esgotado. Ele deslizou o relatório principal, contendo as movimentações das contas offshore, diretamente para o Conselheiro Mendes. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo zumbido distante dos elevadores no saguão, um som que, em breve, traria visitantes menos pacientes que os acionistas.

— Mendes — Arthur disse, a voz cortante como uma lâmina —, examine a assinatura na página quatro. A mesma que autorizou a venda ilegal dos ativos estrangeiros. Ou prefere que eu descreva para o restante dos conselheiros como os seus próprios fundos foram drenados para cobrir o buraco de Ricardo?

Mendes, o aliado mais antigo e ferrenho de Ricardo, pegou o documento. Suas mãos tremiam, mas quando seus olhos encontraram os de Arthur, a lealdade mudou de lado com a rapidez de um golpe de estado. Ele não olhou para o primo. Ele apenas assentiu, um gesto mínimo que isolou Ricardo da única base de apoio que lhe restava.

A porta da sala se abriu sem aviso. Beatriz Lemos entrou, o som de seus saltos no mármore ecoando como tiros de aviso. Ela não pediu licença; caminhou até a mesa e depositou um tablet, a tela brilhando com o bloqueio oficial de todos os ativos internacionais da holding e das contas privadas de Ricardo.

— O Lote 42 de jade imperial foi transferido para a custódia de Arthur esta manhã — anunciou Beatriz, sua voz desprovida de qualquer emoção. — Sem a garantia física, as linhas de crédito com os bancos suíços foram revogadas. Você está em insolvência técnica desde o momento em que o leilão foi encerrado. Sua gestão não é mais um ativo; é um passivo legal.

Ricardo levantou-se, a cadeira arrastando-se com um guincho metálico que soou como um grito de agonia. — Você não pode fazer isso! Eu sou a Valente Holding! Sem mim, vocês não são nada!

— Você é o passado, Ricardo — Arthur respondeu, levantando-se calmamente. — E o passado não tem assento nesta mesa.

Antes que Ricardo pudesse argumentar, o som de sirenes, antes distante, tornou-se um uivo ensurdecedor que subia pela fachada do edifício. As portas duplas foram escancaradas por homens em trajes cinzentos, com o brasão da Polícia Financeira em relevo na lapela. O vácuo de poder na sala foi preenchido pela realidade fria da lei.

Ricardo tentou avançar, mas os seguranças da empresa, agora sob ordens diretas de Arthur, bloquearam sua saída. O CEO que comandara impérios por uma década viu-se reduzido a um réu. Enquanto os oficiais se aproximavam, Arthur permaneceu imóvel, observando o desespero do primo com a frieza clínica de um cirurgião. O Conselheiro Mendes, sentado à direita de Arthur, evitava o contato visual, concentrado em limpar seus óculos.

— Senhor Ricardo Valente — o oficial principal começou, a voz abafando qualquer protesto final de Ricardo. — O senhor está detido para depoimento sobre fraudes financeiras e gestão temerária.

Arthur observou Ricardo ser algemado, a humilhação pública sendo a última peça de um tabuleiro que ele limpava com precisão. O império que Ricardo tentara vender para competidores estrangeiros estava finalmente sob controle total. Enquanto os oficiais escoltavam o primo para fora, Arthur sentou-se na cadeira principal. A guerra corporativa havia acabado, mas, ao olhar para a janela e ver as luzes da cidade, ele sabia que a verdadeira batalha — contra os tubarões que Ricardo tentara atrair — estava apenas começando.

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