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Chapter 10: O Último Suspiro de Ricardo

Arthur Viana neutraliza a última tentativa de sabotagem de Ricardo ao revelar publicamente sua ilegitimidade como herdeiro Viana e a insolvência total da família. Ricardo é expulso da empresa, marcando o fim de sua era, enquanto Arthur se prepara para enfrentar os investidores ocultos que operam acima da diretoria.

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O Último Suspiro de Ricardo

O escritório principal da Viana Corp não era mais um santuário; tornara-se uma vitrine de desolação. Arthur Viana observava a orla do Rio de Janeiro, onde as luzes da cidade cintilavam como brasas sob o crepúsculo. Atrás dele, Beatriz Lemos mantinha a postura de uma sentinela, o tablet em suas mãos exibindo o rastro digital da última tentativa de Ricardo: um dossiê de fraude forjada, pronto para ser disparado contra os maiores portais de notícias do país.

— Ele não aceita o exílio — comentou Arthur, a voz desprovida de qualquer oscilação. — Ricardo acredita que, se puder manchar minha reputação com uma fraude de Cayman, o conselho hesitará em ratificar minha gestão. Ele ainda confunde opinião pública com a dívida que ele mesmo assinou.

Beatriz deu um passo à frente, o reflexo da tela iluminando a seriedade de seu rosto. — O vazamento está programado para as oito da manhã. Se a imprensa comprar a narrativa da fraude na aquisição do Fundo, os investidores ocultos terão a desculpa perfeita para exigir uma auditoria externa. É um movimento suicida, mas que pode nos custar meses de controle legal.

Arthur virou-se. O desprezo de Ricardo nunca o atingira como uma ofensa pessoal; era uma ferramenta de medição. — Deixe que ele dispare — disse Arthur, seus olhos fixos nos de Beatriz. — Mas, antes, anexe a este dossiê o registro de nascimento original e o histórico de filiação de Ricardo. Ele não é um Viana de sangue, Beatriz. O legado que ele protegeu com tanta ferocidade nunca lhe pertenceu por direito. Entregue tudo ao jornalista de confiança da Veja. Vamos garantir que a queda do patriarca seja absoluta.

*

A sala de reuniões da diretoria parecia uma câmara de vácuo. O ar-condicionado zumbia com uma precisão cirúrgica, mas o peso que pairava sobre a mesa de mogno era denso. Ricardo Viana, o homem que por décadas ditou o destino da construtora, estava sentado na extremidade da mesa, a postura rígida, mas os olhos traindo o pânico que tentava esconder sob uma máscara de desprezo.

Arthur permaneceu de pé, observando a costa. O mar, lá embaixo, batia contra os pilares do projeto de revitalização que agora pertencia inteiramente a ele. Ele não precisava se virar para sentir o peso dos olhares dos diretores, todos cientes de que o patriarca não era nada mais do que um fantoche falido, sustentado por uma linha de crédito que Arthur decidira, enfim, cortar.

— Ricardo, a auditoria externa foi concluída — disse Arthur, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina. Ele caminhou até a mesa e deslizou uma pasta de couro sobre a superfície polida. — Não há mais ativos para liquidar. A insolvência da família é um fato público nos registros da junta comercial. E mais: o seu sobrenome, que você usou como garantia para empréstimos predatórios, perdeu qualquer valor de mercado quando a verdade sobre sua origem veio à tona hoje cedo.

Ricardo tentou rir, um som seco e sem vida que morreu antes de ecoar. Ele estendeu a mão para a pasta, mas parou ao ver o título do documento no topo. O rosto do patriarca empalideceu, o sangue drenando de suas feições até ele parecer uma estátua de cera. Ele olhou para a diretoria, buscando um aliado, mas encontrou apenas o vazio. Ele era, oficialmente, um estranho dentro de sua própria casa.

— A segurança o acompanhará até a saída — ordenou Arthur, sem desviar o olhar. — Não quero que retorne ao prédio. Sua autoridade aqui não é apenas obsoleta; ela é um risco contábil.

Ricardo levantou-se, cambaleando, o peso de sua identidade social sendo arrancado diante de todos. Ele saiu sem dizer uma palavra, a dignidade escorrendo de seus ombros. A porta se fechou, selando o destino da era Viana.

*

No terraço da Viana Corp, o vento salgado soprava contra o vidro. Beatriz Lemos aproximou-se, seus saltos ecoando no granito polido. Ela não trazia pastas. Apenas um olhar que, pela primeira vez, não buscava uma falha, mas uma direção.

— O conselho está em choque — disse ela, a voz contida. — A revelação da insolvência desmantelou a última resistência. Eles não estão apenas derrotados, Arthur. Estão paralisados. Esperam uma sentença.

Arthur observou a costa, uma cicatriz de concreto e areia que ele agora dominava. Ele percebeu que a diretoria o temia como um tirano, sem entender que, para ele, a gestão não era uma questão de poder, mas de alinhamento de ativos. A queda de Ricardo era apenas o primeiro nível da torre.

— Não haverá sentenças, Beatriz — respondeu ele, a voz fria. — A Viana Corp que eles conheciam morreu hoje. O que sobra é uma estrutura de dívida que eu controlo. Mas o jogo mudou. Os investidores das Ilhas Cayman não são apenas fundos; são o início de uma hierarquia muito mais alta. A verdadeira guerra começa agora, e eles já sabem o meu nome.

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