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Chapter 3: A Mesa que Ele Sempre Possuiu

Arthur Valente assume a presidência da Holding Valente ao invocar a Cláusula 14, revelando-se o maior credor da empresa e desmantelando a autoridade de Ricardo diante do conselho. O capítulo termina com Arthur descobrindo que o braço direito de seu pai é um agente infiltrado de um grupo internacional.

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A Mesa que Ele Sempre Possuiu

O ar na sala de diretoria da Holding Valente não era apenas rarefeito; era um vácuo de poder. O cheiro de hospital — antisséptico, látex e o pânico metálico de quem teme a falência — impregnava o mogno polido da mesa. Ricardo Valente, o homem que construíra um império sobre o silêncio e o medo, batia o anel de sinete contra a madeira. O som era um tique-taque de um relógio que ele não conseguia mais controlar.

— O tempo de espera acabou, Arthur — disparou Ricardo. Sua voz, antes um trovão, agora soava como vidro trincado. — O conselho votou. Sua expulsão é uma formalidade. Assine a renúncia ou garanto que seu nome será esquecido antes do almoço.

Os conselheiros, homens cujas fortunas estavam atreladas à estabilidade da marca, evitavam o olhar de Arthur. Eles não viam mais o herdeiro negligenciado; viam o homem que detinha a chave do cofre. Arthur, parado junto à porta, não exibia o nervosismo que o pai esperava. Ele mantinha a postura de quem observa um animal acuado em uma armadilha que ele mesmo armara.

— A formalidade, Ricardo, exige a presença de todos os acionistas majoritários — Arthur disse, a voz calma, cortando o ar como uma lâmina. — E, pelo que consta nos registros que Helena acaba de protocolar, a mesa está incompleta.

Helena Sampaio, impecável em seu terninho cinza, posicionou o tablet sobre a mesa. A tela exibia o fluxo de caixa da holding, uma cascata de números vermelhos que Ricardo tentara esconder sob camadas de contabilidade criativa.

— A Cláusula 14 não é uma sugestão — Helena declarou, sua voz desprovida de hesitação. — É uma trava de insolvência. No momento em que a holding atingiu o patamar de endividamento técnico, o controle dos ativos votantes foi transferido automaticamente para o detentor do passivo principal. Conforme o Banco Central, esse credor é Arthur Valente.

Um murmúrio de pânico percorreu a sala. Ricardo levantou-se, a cadeira arrastando-se com um guincho estridente contra o mármore.

— Isso é uma fraude! Você é um parasita brincando com tecnicismos! — Ricardo olhou para os conselheiros, buscando o apoio habitual. Encontrou apenas o vazio. Eles não viam mais o patriarca; viam o homem que os levaria à ruína pessoal.

Arthur caminhou até a cabeceira da mesa. O centro do poder, seu território proibido por décadas, parecia menor sob sua presença. Ele puxou a cadeira da presidência. O couro rangendo soou como um disparo. Ao se sentar, ele ajustou o paletó, sentindo a textura do poder que finalmente lhe pertencia.

— A reunião começou — declarou Arthur.

Ele não olhou para Ricardo. Sua atenção estava fixada nos dados da auditoria forense. Enquanto navegava pelos registros, seus olhos se estreitaram. Entre as transações de lavagem de dinheiro, um nome saltou: o braço direito de Ricardo, o executor de suas ordens mais sujas, aparecia vinculado a uma offshore nas Ilhas Cayman. Não era apenas uma manobra contábil de Ricardo; era uma infiltração. O grupo internacional que ele monitorava há anos estava dentro da própria casa. A guerra, percebeu Arthur, era muito maior do que a falência de seu pai. O jogo acabara de mudar de patamar.

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