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Chapter 10: O Custo do Trono

Arthur consolida seu poder ao forçar a confissão de Ricardo, garantindo o exílio do ex-presidente. Beatriz alerta que, embora a família tenha sido derrotada, a exposição da holding atrai predadores globais, preparando o terreno para o desafio final.

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O Custo do Trono

O silêncio no 32º andar da Valente Holding não era o silêncio do respeito; era o silêncio de quem assiste a uma execução e teme ser o próximo na lista. Arthur Valente caminhou pelo corredor de mármore, o som de seus sapatos ecoando contra as paredes de vidro como tiros em uma catedral vazia. Ninguém ousou desviar o olhar do monitor. O pânico, antes uma corrente elétrica que percorria a diretoria, condensara-se em uma paralisia absoluta.

Ele parou diante da porta de mogno da presidência. Durante anos, aquele cômodo fora o bunker de Ricardo, um território proibido onde Arthur era apenas um estorvo tolerado. Agora, a porta estava entreaberta. Arthur entrou. O ar ali dentro ainda carregava o perfume caro e agressivo de Ricardo, um aroma de sucesso fabricado que parecia ridículo diante da ruína recente. Ele caminhou até a mesa de jacarandá, o centro gravitacional da família, e passou a mão pela superfície polida. Ali, sob o tampo, repousavam os relatórios da auditoria que Beatriz Lemos finalizara. Os números não mentiam: o rombo na logística, a lavagem via Apex, a insolvência oculta. A vitória não trouxera euforia, apenas a certeza de que o poder, quando enfim conquistado, revelava-se um isolamento absoluto.

Na sala de espera privativa, o ambiente cheirava a café expresso amargo e ao desespero estéril de um homem que acabara de perder o mundo. Ricardo estava sentado na poltrona de couro italiano, os ombros caídos, observando o reflexo de seu terno impecável no vidro da janela. Quando a porta se abriu, ele nem se deu ao trabalho de se levantar. Não havia mais autoridade para sustentar. Arthur entrou, mantendo uma distância precisa. Atrás de Ricardo, dois agentes de custódia corporativa aguardavam na antessala, prontos para a escolta definitiva até a sede da Polícia Federal.

— Você sempre teve um gosto caro para o fracasso, Ricardo — disse Arthur, a voz desprovida de qualquer emoção. Ele depositou uma pasta fina sobre a mesa de centro. — Eu financiei a estrutura sobre a qual você se pavoneava. A diferença é que eu sabia o que estava comprando. Você, por outro lado, nunca entendeu que estava apenas operando um sistema que pertencia a mim por direito contratual desde o primeiro dia.

Ricardo soltou uma risada seca, o rosto pálido. — Eu construí isso. Cada centavo, cada contrato, cada aliança na Apex. Você apenas esperou nas sombras, como um parasita.

— Eu ofereço uma saída digna: o exílio silencioso — Arthur interrompeu, a voz cortante como lâmina. — Assine a confissão total, entregue os nomes dos contatos da Apex e você terá o direito de desaparecer sem que eu precise destruir o que resta da sua reputação pública. É o seu último privilégio.

Ricardo hesitou, a arrogância finalmente colapsando sob o peso da realidade. Com mãos trêmulas, ele assinou. Arthur sentiu a primeira pontada de que, ao eliminar o inimigo doméstico, ele abrira as portas para algo muito mais perigoso.

De volta ao escritório, Beatriz Lemos entrou sem bater. Ela trazia uma pasta de couro que parecia conter mais peso do que apenas papel. O clima entre eles mudara; a aliança, antes uma necessidade desesperada, tornara-se uma sociedade de risco compartilhado.

— A CVM confirmou o recebimento dos arquivos — disse ela, pousando o documento sobre a mesa de mogno. — O rombo na logística é maior do que estimávamos. Ricardo não apenas desviou fundos; ele usou a estrutura da holding como garantia para empréstimos predatórios de um fundo global que sequer possui sede física em solo nacional. Ele vendeu a nossa infraestrutura para pagar o próprio luxo.

Arthur girou a cadeira. O reflexo no vidro da janela mostrava um homem que ele mal reconhecia: o herdeiro desprezado fora substituído pelo dono do capital.

— Ricardo é um amador que brincou de tubarão em uma piscina de plástico — Arthur disse, a voz desprovida de sombra. — Mas ele não agiu sozinho. Ele foi um peão útil para interesses que eu ainda não mapeei totalmente.

Beatriz caminhou até a janela, observando o horizonte da cidade.

— Você venceu a família, Arthur. O conselho está em choque e a diretoria é sua, mas o mercado não perdoa o vácuo de poder. Ricardo foi apenas o primeiro obstáculo. Agora que a Valente Holding está exposta e vulnerável, os grandes predadores virão. Você venceu a família, mas o que fará quando o verdadeiro dono do mercado aparecer?

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