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Chapter 12: A Primeira Dama

Arthur confronta Beatriz, revelando sua estratégia de usar a Cláusula 14.b para drenar o Conselho durante o leilão. Ricardo tenta uma última investida, mas é subjugado pela ameaça de Arthur, que agora detém o controle total da situação antes do confronto final.

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A Primeira Dama

O escritório de Arthur Viana, no trigésimo andar da Viana Holding, não era um local de trabalho; era um aquário de vidro temperado suspenso sobre o caos de São Paulo. Lá fora, o trânsito da Avenida Paulista formava um leito de brasas estáticas. Aqui dentro, o silêncio era tão denso que o zumbido do ar-condicionado soava como uma ameaça.

Beatriz Lemos entrou sem bater. A postura, habitualmente impecável, estava levemente inclinada, como se ela carregasse o peso de uma sentença. Ela não trouxe os relatórios de mercado. Trouxe o convite para o leilão de jade, gravado em metal escovado, que repousava sobre a mesa de ébano como uma lâmina fria.

— O Conselho antecipou a pauta, Arthur — disse ela, a voz contida. — Não haverá auditoria na segunda-feira. Eles exigem a transferência dos ativos remanescentes hoje à noite, durante o leilão. Estão usando sua assinatura como carimbo para a liquidação total da Holding.

Arthur não se virou. Observava o reflexo da sala no vidro. — Eles acham que sou o Ricardo. Acham que, sob a pressão do medo, eu assinarei meu próprio exílio para salvar a fachada.

— Eles controlam as dívidas de todos os seus aliados, Arthur — Beatriz deu um passo à frente, a voz perdendo a polidez executiva. — Você está isolado. Se não assinar, eles vão purgar cada pessoa que ainda mantém um fio de lealdade a você. Inclusive eu. Eles possuem evidências de que desviei fundos da logística para cobrir suas dívidas pessoais. É chantagem, não é lealdade.

Arthur girou a cadeira. O movimento foi lento, quase predatório. Ele estudou o rosto de Beatriz, procurando a rachadura na máscara. — A chantagem é a única moeda que eles entendem. Se você quer sobreviver, pare de ser a informante deles e comece a ser a minha. Tenho a chave para anular essa dívida, mas o preço é o seu silêncio absoluto até o sinal no leilão.

— O que você vai fazer? — ela perguntou, a voz quase um sussurro.

— Vou transformar o leilão no meu túmulo, como eles querem. Mas, no momento em que eu assinar a rendição, a Cláusula 14.b será ativada. Eles acreditam que a holding está falida. Não fazem ideia de que o capital da Viana Investimentos é o que mantém o império de pé. Vou drenar a liquidez deles enquanto celebram a minha queda.

A porta de mogno rangeu. Ricardo Viana entrou, o terno impecável escondendo a ruína que Arthur sabia estar oculta sob as abotoaduras. Ele não parecia um homem destituído; parecia um animal acuado que ainda acreditava ter garras.

— Você acha que venceu porque sentou na minha cadeira, Arthur? — Ricardo jogou uma pasta sobre a mesa. — O Conselho me contatou. Estão dispostos a negociar minha reintegração. Você é um erro que eles pretendem corrigir até o leilão de amanhã.

Arthur sentiu o cheiro do desespero de Ricardo — uma mistura de colônia cara e suor frio. O patriarca não percebia o óbvio: ele não era um negociador, era uma peça descartada, usada como isca.

— O Conselho não negocia, Ricardo. Eles purgam — Arthur respondeu, a voz desprovida de qualquer tremor. — Você é o bode expiatório. Entregue os nomes dos membros do Conselho, ou eu mesmo entregarei você às autoridades pelos crimes da última década. É a sua única saída.

Ricardo vacilou, a arrogância trincando. Ele olhou para Beatriz, depois para Arthur, percebendo que a dinâmica de poder havia mudado para sempre. O patriarca estava quebrado, humilhado pela própria ganância.

Com Beatriz como sua informante e Ricardo sob seu controle tático, Arthur voltou-se para a varanda. A cidade de São Paulo pulsava lá embaixo, ignorante da guerra que estava prestes a explodir. Ele recebeu uma notificação final no celular: o Conselho exigia sua presença no leilão para a 'transferência final' de ativos.

Arthur fechou a mão sobre o vidro da varanda. Se eles querem guerra, é exatamente isso que eles terão.

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