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Chapter 11: A Estratégia de Xadrez

Arthur infiltra-se no jantar da elite, desmantela financeiramente a Fundação Aethelgard em tempo real e confronta a identidade do arquiteto, descobrindo que a traição veio de alguém de seu círculo íntimo.

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A Estratégia de Xadrez

O ar no salão de baile do Hotel Fasano possuía a densidade do vidro temperado: frio, transparente e pronto para estilhaçar ao menor impacto. Arthur Viana ajustou o punho da camisa, sentindo o peso do relógio de platina — uma peça discreta, mas que valia mais do que o carro de qualquer um dos convidados que ali circulavam fingindo indiferença. Ele não estava ali como o herdeiro desajustado, mas como o predador que acabara de devorar a própria linhagem.

Beatriz Lemos aproximou-se, a postura de uma executiva que acabara de realizar uma venda impossível. Ela não olhou diretamente para ele, focando no cristal da taça que segurava.

— O conselho da Fundação está em alerta — murmurou ela, a voz mal subindo acima do tilintar de talheres. — Eles sentiram a movimentação na Viana Holdings. Ricardo está sendo interrogado, mas os advogados da Aethelgard já estão tentando limpar os servidores antes que a auditoria da segunda-feira comece. Eles sabem que você possui a cláusula de veto original.

Arthur observou o salão. Homens que ditavam o preço do aço e do agronegócio brasileiro agiam como marionetes em um teatro de sombras, sem perceber que os fios que os moviam estavam sendo cortados um a um. Ele não buscava a aprovação deles; buscava o arquiteto.

— Deixe que tentem — respondeu Arthur, com a precisão de um cirurgião. — Se eles limparem os servidores, provarão a cumplicidade. A auditoria não é apenas um documento, Beatriz. É a guilhotina.

O celular vibrou contra a palma da mão de Arthur. No visor, o nome de Ricardo Viana brilhava como uma ferida aberta. Arthur atendeu, mantendo o olhar fixo no reflexo do vidro espelhado que separava o salão principal do corredor dos bastidores.

— Você é um tolo, Arthur — a voz de Ricardo, vinda de dentro da cela, era uma mistura de desespero e um desprezo que, desta vez, soava como um tremor de terra. — Acha que derrubou a Viana Holdings? Você apenas removeu a tampa de um bueiro. O que está embaixo não é um negócio, é um ecossistema que não tolera parasitas.

— Diga o nome — Arthur cortou o monólogo, sua voz um bisturi de precisão. — O arquiteto. Eu sei que você foi descartado como um ativo ruidoso. Se quiser um pingo de clemência legal, a hora é agora.

Houve um silêncio prolongado, interrompido apenas pelo chiado da linha prisional. Ricardo soltou uma risada seca, quase um engasgo.

— Clemença? Não existe isso aqui. Se eu falar, eles me apagam antes do amanhecer. Mas se eu ficar calado, morro de qualquer jeito. O homem que desenhou a estrutura da Fundação não é um estranho, Arthur. Ele sempre esteve sentado à sua mesa.

Arthur desligou. O peso da revelação não o atingiu como um golpe, mas como uma peça de xadrez finalmente encaixada no tabuleiro. Ele não esperou. Voltou-se para Beatriz, que já operava o dispositivo de transferência de ativos. O firewall da Fundação Aethelgard, um labirinto de criptografia, começou a ceder sob a chave que Arthur trouxera da auditoria.

— Execute — ordenou ele.

Em tempo real, as contas de fachada da Fundação — o sangue financeiro que mantinha o consórcio vivo — começaram a ser drenadas para as contas sob controle de Arthur. A desestabilização foi imediata. No salão, executivos começaram a receber notificações em seus aparelhos. O murmúrio de conversas sobre fusões foi substituído por um silêncio tenso e desconexo. A estrutura de poder que o humilhara por anos estava, aos olhos de todos, desmoronando sob o comando de um homem que eles consideravam 'peso morto'.

Arthur subiu as escadas em direção à galeria privada. Os seguranças hesitaram, as mãos pairando próximas aos ternos sob medida, mas o reconhecimento brilhou em seus olhos quando o nome de Arthur apareceu em seus dispositivos de verificação. Ele não era mais o herdeiro descartável; ele detinha as chaves do reino.

Ele parou diante da porta dupla de carvalho e a empurrou. A sala de observação oferecia uma visão panorâmica sobre o salão de baile. No centro, uma figura estava de costas, os ombros largos emoldurados pela luz fria que entrava pelas janelas do teto. O homem observava a elite paulistana lá embaixo com a mesma frieza com que se analisa um tabuleiro de xadrez.

O arquiteto se virou lentamente. O rosto, conhecido e inquestionável, congelou o ar nos pulmões de Arthur. A traição não era apenas corporativa; era pessoal. Arthur percebeu, com uma clareza absoluta, que o verdadeiro arquiteto do seu sofrimento não estava apenas na sala ao lado — ele estava esperando por este momento há anos.

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