A Queda do Prodígio
O ar no topo do Pináculo de Cristal não era rarefeito; era carregado de estática. Kaelen sentia o zumbido do núcleo vibrando contra suas palmas, uma corrente de energia bruta que ele, um pária de baixo ranking, não deveria ser capaz de tocar. À sua frente, Valerius estava de joelhos, o rosto desprovido da arrogância habitual, agora uma máscara de pânico enquanto sua aura de cultivo — o orgulho de uma linhagem de séculos — era drenada para o sistema de Kaelen.
— Você vai matar a todos nós, seu verme! — sibilou Valerius. O som de sua voz era fraco, abafado pelo gemido metálico da estrutura do Pináculo, que protestava contra a reconfiguração forçada.
Kaelen não respondeu. Ele estava ocupado demais mantendo o fluxo estável. O qi de Valerius passava por seu corpo como vidro moído, cortando suas defesas, mas cada grama de energia absorvida era uma vitória mensurável sobre a escassez que o definira por meses. Ele não estava apenas vencendo um duelo; ele estava sequestrando o motor econômico da Academia.
O alarme de contenção soou, um tom grave que fez os dentes de Kaelen vibrarem. A equipe de segurança irrompeu na plataforma, rifles de pulso carregados. Kaelen preparou-se para o impacto, mas a voz do Grão-Mestre, amplificada pelos alto-falantes, cortou o caos:
— Abaixem as armas. Ele é agora um ativo necessário.
Kaelen sentiu o peso da nova realidade. Ele não era mais um invasor; era uma engrenagem que o Conselho não podia se dar ao luxo de quebrar. Valerius, percebendo a hesitação dos guardas, tentou um golpe desesperado, mas Kaelen apenas girou o pulso no terminal. O Pináculo respondeu: um pulso de contenção forçou o herdeiro ao chão, a sobrecarga de sua própria linhagem negada fazendo seus nervos entrarem em colapso.
— O Pináculo não é um cofre privado, Valerius — disse Kaelen, a voz fria, sem o tremor da dúvida. — É um recurso público que você exauriu. A conta chegou.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Quando Kaelen exigiu a expulsão do rival, o Grão-Mestre surgiu na tribuna, com um sorriso que não alcançava os olhos.
— A regra de sangue é absoluta, Kaelen. Valerius não foi derrotado; ele foi testado. A partir de hoje, ele é promovido para a Divisão de Elite Externa.
Guardas escoltaram Valerius para fora. Kaelen, o vencedor, permaneceu preso ao terminal, vigiado por guardas que agora bloqueavam seu caminho. Ele havia vencido a batalha, mas o sistema apenas se reconfigurou para contê-lo.
Mais tarde, no laboratório oculto, Mestra Elara o aguardava. Ela não ofereceu parabéns.
— O Conselho viu o que você fez. Você se tornou uma variável necessária. Valerius foi promovido porque a linhagem dele ainda é um ativo de marketing. A escada não é apenas íngreme, Kaelen; ela se move para longe conforme você sobe.
Kaelen sentiu a amargura. A dívida familiar, o confisco iminente em quarenta e oito horas, ainda era uma sentença de morte pendente.
— Então o jogo é infinito? — perguntou ele, a mão fechando em punho.
Elara estendeu um selo negro sobre a mesa, gravado com um emblema desconhecido.
— O Pináculo era apenas o tutorial. O verdadeiro mercado de poder não está nestes muros. Aceite este convite para a Rede Externa, ou prepare-se para ser consumido pela próxima auditoria. A ascensão real começa agora.