A Máscara de Vidro
O escritório de Ricardo, no quadragésimo andar com vista para o caos de São Paulo, parecia uma caixa de vidro hermeticamente fechada. Helena encarava a última página do contrato. Sua mão, mantida firme com um esforço sobre-humano, não vacilou ao segurar a caneta tinteiro que ele estendera como um cetro de poder.
— Lembre-se, Helena — a voz de Ricardo era um veludo que escondia lâminas. — O noivado não é apenas um título. É uma performance. A partir deste momento, você pertence à minha imagem pública tanto quanto à sua própria sobrevivência. Qualquer deslize será interpretado como uma falha na minha governança.
Ele deu a volta na mesa de mogno, aproximando-se o suficiente para que Helena sentisse o perfume amadeirado — um aroma que, cinco anos atrás, significava segurança, mas que agora cheirava a u
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