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Chapter 2: The Public Misread

Elena enfrenta a pressão da mídia sob o braço protetor e possessivo de Arthur, enquanto a urgência pelo livro-razão aumenta. O capítulo estabelece a dinâmica de refém-protetor e revela que o contrato esconde segredos que Elena ainda não domina.

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The Public Misread

O ar-condicionado do saguão do hotel, gélido e impessoal, não conseguia dissipar o calor que subia pela espinha de Elena. O contrato, assinado há menos de uma hora, parecia pesar toneladas dentro de sua bolsa. Ao cruzar as portas giratórias, o silêncio tenso foi estraçalhado por uma cacofonia de disparos. Fotógrafos, como abutres em trajes de grife, cercaram o casal, seus flashes estourando como tiros em uma execução pública.

— Sr. Arthur! O boato sobre o desvio de fundos na firma de engenharia da família da sua noiva é verdadeiro? — O grito veio de um homem com uma câmera pesada, o rosto contorcido pela busca do ângulo que capturaria a ruína de Elena.

Elena travou. A luz branca a cegava, e o peso da humilhação parecia arrastá-la para o chão. Ela era a neta de um homem que, em dez horas, seria exposto como um fraudador. Antes que ela pudesse formular uma resposta, Arthur não pediu licença. Com uma precisão predatória, ele contornou Elena e a puxou para trás de seu corpo, bloqueando o ângulo dos paparazzi. Sua mão, firme e autoritária, pousou na base da espinha dela, forçando-a a encostar-se ao seu terno sob medida. O cheiro de sândalo e poder a envolveu, protegendo-a da curiosidade alheia enquanto a tornava, inegavelmente, um ativo sob sua custódia.

Dentro da limusine, o contraste com o caos externo era cortante. O relógio no painel marcava 23h12. Arthur estava sentado à frente dela, o corpo relaxado, mas os olhos — escuros, calculistas — pesavam cada milímetro do espaço entre eles.

— O jogo de cena foi convincente — disse ele, a voz desprovida de qualquer calor. — Mas a imprensa não é o seu maior problema. O seu tio deixou um rastro de papel que leva diretamente ao meu cofre. E eu não pretendo ser o bode expiatório da vez.

Elena sentiu o estômago revirar, mas endireitou a coluna. — Eu não tenho o livro-razão que você quer — mentiu ela, embora o volume escondido no forro de sua bolsa parecesse queimar contra sua coxa.

Arthur soltou um riso seco e inclinou-se para frente, invadindo seu espaço pessoal. Ele estendeu a mão e, com uma lentidão deliberada, colocou um documento sobre o assento entre os dois. Era um extrato bancário, datado de três anos atrás, com a assinatura de seu tio em uma conta que ela jamais vira. A evidência de uma traição que ia além da ganância; era uma rede de corrupção que envolvia nomes perigosos.

O celular de Elena vibrou, uma interrupção estridente. O visor brilhava com o nome de seu tio. A voz dele, quando ela atendeu, não trazia conforto, mas a urgência metálica de quem está acuado.

— Elena, você precisa tirar o livro-razão de onde ele está agora — o tio sussurrou, a voz falhando. — Se encontrarem o segundo volume, a extensão do desvio... eles não vão parar na auditoria. Você é a única que sabe a localização.

Sob o olhar fixo de Arthur, que avaliava sua lealdade como um jogador de xadrez, Elena sentiu o ar faltar. Ela olhou para o tio na tela, depois para o homem que a mantinha sob contrato. — Tio, não há nada aqui — ela mentiu, a voz firme apesar do tremor interno. — O que foi feito, está feito. Não me procure mais.

Ao desligar, o silêncio na limusine tornou-se denso. Arthur não sorriu, mas o brilho em seus olhos mudou. Quando o carro parou diante da mansão, a imprensa os aguardava na entrada. Arthur desceu primeiro, estendendo a mão para ela com uma possessividade calculada. Elena aceitou, colando o corpo ao dele enquanto as câmeras registravam o momento. O flash das câmeras cega, mas o olhar dele queima mais. Por que ele a defendeu com tanto afinco, sabendo que ela era apenas uma peça em seu jogo? Enquanto entravam no refúgio de pedra e vidro que agora seria sua prisão, ela percebeu que o contrato escondia cláusulas que ela mal tivera tempo de ler.

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