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Chapter 2: A Auditoria das Sombras

Arthur recusa o suborno de Beatriz e descobre que suas contas foram bloqueadas. Ele se alia a Mendonça para expor a dívida real da família e inicia uma invasão técnica aos servidores da Holding Valente, forçando Beatriz a confrontar a falha de segurança.

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A Auditoria das Sombras

O corredor privativo do Leilão de Jade era revestido de mármore frio, mas o ambiente que Beatriz Valente irradiava era mais gélido que a pedra sob seus saltos. Atrás dela, o burburinho dos convidados sobre a fraude sintética no jade parecia uma sinfonia de vidro quebrado. Ela bloqueou o caminho de Arthur com a elegância predatória de quem nunca precisou pedir licença.

— Você destruiu o prestígio da família em dez minutos — disse Beatriz, a voz baixa, modulada para o controle total. Ela estendeu um envelope de couro, o gesto calculado para parecer um presente, mas que Arthur leu como uma algema. — Dez milhões. Depósito imediato. Saia de São Paulo e leve o seu delírio de auditoria com você. É o seu preço, Arthur. Não seja estúpido a ponto de desperdiçar sua única saída.

Arthur não tocou no envelope. Ele observou o reflexo de Beatriz no espelho de parede; a imagem da executiva impecável parecia estilhaçada pela própria tensão que ela tentava esconder. Ele sabia que o império não estava apenas em crise; estava oco. A fraude do jade era apenas o fio solto de uma tapeçaria de dívidas impagáveis que ele, e apenas ele, havia catalogado durante anos de ostracismo.

— Dez milhões é o valor de uma das suas consultorias de fachada, Beatriz — respondeu Arthur, o tom desprovido de raiva, carregado apenas de uma precisão cirúrgica. — O problema não é o dinheiro. O problema é que a auditoria já começou.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Beatriz não gritou; ela apenas estreitou os olhos, uma expressão de quem acabara de identificar uma praga no jardim. Ela se retirou sem mais uma palavra, mas Arthur sabia que o contra-ataque seria imediato.

Dentro do sedã blindado, enquanto o trânsito da Marginal Pinheiros se arrastava como uma serpente de metal sob a chuva fina, Arthur tocou a tela do smartphone. Precisava de liquidez imediata para custear a equipe de perícia forense que tornaria sua auditoria irreversível. Ao tentar liquidar as ações de sua conta privada, a tela piscou um alerta vermelho: “Conta Bloqueada por Decisão Administrativa – Holding Valente”.

Arthur não sentiu pânico. Sentiu o frio exato de uma lâmina sendo afiada. Beatriz não estava apenas tentando silenciá-lo; ela estava tentando asfixiá-lo. Ao bloquear seus recursos, ela confirmara que o buraco contábil não era um erro, mas o alicerce de sua gestão. Ele precisava de um aliado fora do sistema bancário tradicional. Ele discou para o Sr. Mendonça.

O encontro ocorreu em uma galeria privada nos Jardins, onde o ar era rarefeito e carregado com o cheiro de verniz e o peso de segredos de alto valor. Mendonça observava uma pintura abstrata com a impassibilidade de quem já vira impérios serem liquidados.

— A dívida da família é três vezes maior do que o mercado imagina — revelou Mendonça, sem desviar o olhar do quadro. — Se você abrir essa auditoria, não apenas a fusão será cancelada; o próprio nome da família será riscado da bolsa. Você está pronto para ver o sobrenome que defendeu ser arrastado pela lama?

Arthur não hesitou. Ele entregou um dispositivo de armazenamento contendo a chave de criptografia da auditoria interna, um segredo que guardara por anos. — O sobrenome já está na lama, Mendonça. Eu só estou garantindo que ele não se levante mais.

Horas depois, no apartamento temporário, Arthur iniciou a invasão. O código-fonte da auditoria começou a correr em cascata, expondo as entranhas da holding. Na sede da empresa, o tablet de Beatriz iluminou-se com um alerta: Intrusão de Nível 1 detectada. Ela digitou comandos frenéticos, tentando bloquear os IPs, mas o sistema parecia sabotar a própria defesa.

— Arthur, seu bastardo — sussurrou ela, enquanto o cursor travava.

No monitor de Arthur, a tela do servidor piscou: 'Acesso Negado'. Ele sorriu, recostando-se na cadeira. Ele não precisava de acesso total; ele precisava que eles soubessem que ele estava lá.

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