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Chapter 2: O Espetáculo do Baile

Beatriz e Henrique fazem sua estreia pública como casal no baile de gala, enfrentando o escrutínio da elite paulistana. Henrique protege Beatriz de ataques verbais de um antigo rival, consolidando sua posição como protetor estratégico, enquanto a tensão entre eles aumenta sob a pressão da performance pública.

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O Espetáculo do Baile

O ar-condicionado do salão de gala no Jardim Europa era insuficiente para dissipar a eletricidade estática que emanava da elite paulistana. Beatriz Alencar ajustou a alça do vestido de seda, sentindo o peso de centenas de olhos. Não eram olhares de admiração, mas de escrutínio; ela era a socialite que perdera tudo, a herdeira cujo sobrenome fora arrastado pela lama da falência fraudulenta do tio. E agora, ela entrava no braço de Henrique Valente.

Henrique não caminhava; ele ocupava o espaço como se fosse o dono de cada centímetro de mármore. Sua postura era a de um predador que não precisava rugir para ser temido. Ao seu lado, Beatriz sentia-se como uma peça de xadrez sendo movida em um tabuleiro onde as regras haviam mudado há apenas algumas horas, no silêncio claustrofóbico do escritório na Faria Lima.

— Lembre-se — a voz de Henrique surgiu grave, rente ao seu ouvido, sem que ele se virasse. — O conselho da Valente está observando. Sua dignidade é o meu maior ativo esta noite. Não desvie o olhar de ninguém.

Beatriz travou o maxilar. O toque de Henrique em sua cintura não era afeto; era uma marca de propriedade estratégica. Ele a puxou para mais perto, forçando-a a se alinhar à sua postura de poder. Ela percebeu, com um calafrio, que para sobreviver àquele contrato, precisaria ser a arma de Henrique, não apenas seu escudo.

O bar de mármore tornou-se o primeiro campo de batalha. Ricardo, um antigo associado de seu pai, aproximou-se com um sorriso cortante.

— Beatriz, minha querida. Ouvi dizer que a situação dos Alencar se tornou… insustentável. Imaginei que estivesse em algum lugar mais modesto, não circulando entre os sócios da Valente.

Henrique não esperou a resposta de Beatriz. Ele se colocou entre eles, uma muralha de frieza calculada.

— Ela está onde escolheu estar, Ricardo — respondeu Henrique, a voz desprovida de emoção. — E, pelo visto, você ainda gasta seu tempo com fofocas de corredores em vez de cuidar da própria insolvência. Suas contas offshore não estão tão ocultas quanto você acredita.

Ricardo empalideceu, o sorriso congelando. Henrique não apenas o desarmou; ele o humilhou com uma ameaça velada que ecoou no silêncio tenso ao redor. Beatriz observou Henrique sob uma nova luz: ele era cruel, mas sua crueldade agora era o muro que a protegia.

Para silenciar os boatos, Henrique a conduziu à pista de dança. A valsa era uma negociação silenciosa. A proximidade física forçada revelava uma faísca de atração que ambos tentavam ignorar para manter a lógica transacional.

— Por que tanto esforço? — Beatriz sussurrou, mantendo o sorriso gélido exigido pela etiqueta. — O custo da sua proteção deve ser alto demais para apenas uma fachada.

Henrique a puxou para mais perto, a mão firme em suas costas.

— Você é mais do que uma peça no tabuleiro, Beatriz. Mas não confunda a necessidade de um aliado com a busca por um salvador.

O clímax da noite veio no foyer, sob o bombardeio implacável de flashes. Quando um repórter agressivo tentou questionar a liquidação dos bens dos Alencar, Henrique posicionou Beatriz à frente, protegendo-a com a própria sombra. O repórter recuou, intimidado pelo poder que emanava de cada sílaba do herdeiro. O flash das câmeras cegava, mas o toque de Henrique em minha cintura era a única coisa real. Ele sussurrou: 'Sorria, Beatriz. O espetáculo apenas começou'.

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