A Fenda no Escudo
O jantar beneficente ainda reverberava nos corredores do Hotel Imperial quando Helena deixou o salão principal. Os aplausos já haviam morrido, mas os olhares da elite continuavam grudados nela — alguns curiosos, outros ressentidos, a maioria calculando perdas e ganhos. Ela caminhava com a coluna reta, o vestido preto de corte reto funcionando como escudo e arma ao mesmo tempo.
Ricardo seguia dois passos atrás. Não a tocava. Não precisava. Quando um corretor conhecido por negociar favores se aproximou com o sorriso ensaiado e a pergunta inevitável sobre “a autenticidade do noivado”, Ricardo respondeu antes que ela abrisse a boca.
— A Helena não veio aqui para dar satisfação a quem não senta na mesa principal — disse ele, voz baixa, cortante. — Se for negócio, marque horário. Se for fofoca, espere o martelo de segunda-feira.
O homem recuou, o so
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