A Herança do Silêncio
O ar no escritório de Tia Sofia tinha o peso de décadas de segredos mal guardados. Cheirava a mofo, cera de abelha e ao desespero de uma aristocracia que se recusava a morrer. Helena não sentiu nostalgia; sentiu o estalo metálico de uma armadilha se fechando. Ela girou a chave, a mão firme, e empurrou a porta de mogno.
O caos a recebeu. Gavetas reviradas, papéis de valor inestimável espalhados pelo tapete persa, e um homem de terno cinza — o preposto de Marcelo — com as mãos enfiadas na estante de livros raros
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