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Chapter 3: A Armadilha do Relógio

Elias escapa da cripta com documentos que, em vez de incriminar os Albuquerque, provam sua própria culpa forjada. Ele retorna ao hotel, apenas para descobrir que Beatriz o incriminou deliberadamente como bode expiatório, enquanto o cerco dos seguranças do Patriarca se fecha sobre ele.

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A Armadilha do Relógio

O ar na cripta dos Albuquerque tinha o peso de séculos de segredos mal enterrados, mas o que sufocava Elias era o som metálico das botas dos seguranças ecoando pelas lajes de pedra. Faltavam 140 horas para que o Livro Negro fosse incinerado. O Patriarca não estava apenas limpando a casa; estava apagando qualquer um que ousasse ler as entrelinhas. Elias pressionou o envelope pardo contra o peito, sentindo o relevo áspero dos documentos que haviam se tornado sua sentença de morte.

— Ele está aqui embaixo. Não deixem que saia com a pasta — a voz do chefe da segurança, fria e desprovida de hesitação, cortou o silêncio do mausoléu.

Elias olhou para o teto abobadado. Os sinos da capela badalaram, um som grave e dissonante que ele reconheceu da gravação de Beatriz. Não era apenas um marcador de tempo; era o código para o mecanismo de abertura da passagem de serviço. Com um movimento preciso, ele girou a manivela oculta atrás de um busto de mármore. Engrenagens oxidadas protestaram, e uma fenda na parede de pedra se abriu. Elias se lançou para dentro segundos antes da porta principal da cripta ser arrombada por um estrondo seco de metal contra metal.

Escondido em um beco úmido atrás da capela, sob a chuva fina que lavava a cidade-santuário, Elias abriu o envelope. Ele esperava encontrar o registro de corrupção que Beatriz havia prometido. Com mãos trêmulas, ele rasgou o papel. Não havia documentos de suborno ou registros de lavagem de dinheiro das mineradoras. O que caiu em suas mãos foram cópias autenticadas de notas promissórias e e-mails forjados, todos carregando uma assinatura inconfundível: a dele.

O ar pareceu rarefeito. Beatriz não tinha deixado uma arma para ele usar contra o pai; ela tinha construído uma armadilha perfeita. Cada documento ali descrevia, com precisão cirúrgica, como Elias havia desviado fundos da fundação da família nos últimos seis meses. O medo substituiu a indignação. Ele não era o salvador; era o bode expiatório designado para carregar a culpa. A contagem regressiva de 140 horas agora tinha um novo significado: era o tempo que ele tinha para limpar seu nome antes de ser entregue às autoridades como o criminoso que os Albuquerque precisavam.

Elias correu pelas sombras da praça central, evitando as luzes dos refletores. Ele viu o Patriarca em um telão gigante, dando uma entrevista pública, garantindo a paz na cidade, enquanto seus homens fechavam o cerco. O relógio da torre soou, lembrando-o da urgência. Ele precisava de um lugar seguro para reorganizar sua estratégia, mas, ao passar pelo saguão do seu hotel, o recepcionista o encarou com uma rigidez antinatural. Elias não parou. Subiu pelas escadas de serviço, sentindo o peso do envelope como uma âncora.

O quarto 402 estava revirado. O colchão fora rasgado, as gavetas espalhadas pelo carpete como dentes arrancados. Alguém não estava apenas procurando o Livro; estavam procurando por ele. Elias sentiu o sangue gelar ao ver seu notebook aberto sobre a escrivaninha. Na tela, um arquivo de áudio estava em destaque. Ele pressionou o play com os dedos trêmulos. A voz de Beatriz surgiu, clara e fria, cortando a tensão do quarto como uma lâmina:

— Elias, se você está ouvindo isso, significa que a capela foi um sucesso. Ou um desastre necessário. Você deve ter notado que as assinaturas nos documentos não são do meu pai. São as suas. Eu precisei de alguém com a sua reputação de incorruptível para que, quando a verdade viesse à tona, ninguém ousasse questionar a culpa. Você é o bode expiatório perfeito.

O som de botas táticas ecoou no corredor. O cerco se fechou, e o silêncio da cidade tornou-se uma caçada. Elias não tinha mais para onde correr; a armadilha estava armada.

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