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Chapter 2: Prova de Fogo

Helena e Arthur enfrentam a elite paulistana em um evento social, onde Arthur utiliza uma demonstração pública de possessividade para proteger Helena de Ricardo. O capítulo termina com Arthur entregando a Helena o acesso ao cofre da fundação, elevando a aposta para a próxima etapa da auditoria.

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Prova de Fogo

O espelho do closet de Arthur não refletia a mulher que Helena costumava ser. Sob a luz fria da cobertura, a seda azul-noturno de seu vestido parecia uma armadura forjada para a guerra, não para um evento de caridade. Helena ajustou a alça, sentindo o peso do olhar de Arthur através do reflexo. Ele estava parado na entrada, impecável em um terno que custava mais do que as dívidas que Ricardo deixara em seu nome.

— O colar — disse Arthur, a voz cortante. Ele se aproximou, invadindo seu espaço pessoal com uma confiança que a forçava a manter a postura. — A imprensa precisa de um símbolo de lealdade. Eles não vão acreditar na nossa união se você parecer que está a caminho de um funeral.

Helena sentiu o toque frio das mãos dele ao prender o diamante em seu pescoço. Não era um gesto de carinho, mas de posse. A cada clique do fecho, ela sentia o contrato invisível apertar: ela precisava da proteção dele para não ser presa pela fraude de Ricardo, e ele precisava da credibilidade dela para acessar os arquivos da fundação. Era uma troca, nada mais.

— Você está tremendo — notou ele, os olhos fixos nos dela. — Se você desmoronar agora, a fundação cai, e eu não terei motivos para mantê-la fora da cadeia. Entendeu o risco, Helena?

Ela encontrou o olhar dele, forçando a própria voz a sair firme. — Entendi. E sei que, se cairmos, você perde o acesso ao que Ricardo escondeu. Não sou apenas o seu peão, Arthur. Sou a única que sabe a senha do cofre.

O salão do Jardim Europa não era um ambiente; era uma armadilha revestida em mármore e luzes de cristal. Helena sentia cada olhar como um corte fino. O divórcio, antes um assunto de alcova, agora era o entretenimento favorito da elite paulistana que brindava com champanhe enquanto esperava que ela tropeçasse.

— Endireite a postura — o murmúrio de Arthur veio logo atrás de seu ombro. — Eles não estão olhando para a sua dor. Estão procurando pelo seu medo. Não lhes dê esse prazer.

Ele não a tocou, mas sua presença era uma barreira física. Helena forçou o queixo a subir. Antigos aliados de Ricardo desviavam o olhar ou trocavam cochichos. A humilhação era um peso, mas o braço de Arthur, firme e autoritário ao redor de sua cintura, a ancorava em uma nova realidade de poder.

Ricardo surgiu entre os convidados com a arrogância de quem ainda se sentia dono da verdade. Quando seus olhos encontraram os de Helena, não houve arrependimento, apenas um brilho de desdém calculista. Ele parou a poucos metros, ignorando a presença de Arthur como se fosse um detalhe irrelevante.

— Helena. Que surpresa ver você tentando manter as aparências — Ricardo começou, a voz baixa, projetada apenas para que ela pudesse ouvir a ameaça. — Você deveria ter aceitado o acordo de silêncio. Tentar se esconder atrás de alguém como Arthur é um erro caro. Ele não é um salvador, é um oportunista que sabe exatamente que você é a única que vai cair quando a auditoria terminar.

Helena sentiu o estômago revirar, mas antes que pudesse formular uma resposta, Arthur deu um passo à frente. O ambiente ao redor pareceu congelar. Ele não levantou a voz, mas sua postura impunha um silêncio absoluto aos que estavam próximos.

— A auditoria não é uma ameaça, Ricardo. É uma limpeza — Arthur retrucou, com um sorriso gélido. — E Helena não está se escondendo. Ela está apenas observando o seu império desmoronar. Aconselho que verifique os seus documentos antes de falar sobre erros.

Ricardo empalideceu por um milissegundo antes de recuperar a máscara de escárnio, mas Arthur não lhe deu espaço para continuar. Ele puxou Helena pela cintura, colando seus corpos. O toque queimou através do tecido do vestido, uma demonstração pública de posse que deixou Ricardo visivelmente tenso.

— Eles estão nos olhando — Arthur sussurrou contra o ouvido dela, a voz carregada de uma eletricidade perigosa. — Sorria. O jogo apenas começou.

No carro, de volta à segurança blindada, Arthur estendeu a mão e deixou um envelope pardo sobre o assento entre eles. Dentro, um cartão magnético e um conjunto de chaves antigas com o brasão da família de Ricardo.

— A auditoria exige que você entre lá amanhã — disse Arthur, sem rodeios. — Ricardo estará na reunião do conselho. Você tem vinte minutos. Se for pega, a proteção termina.

Helena pegou o cartão. Ela sabia que não eram apenas números que a esperavam no cofre. Eram nomes. Segredos que poderiam destruir sua própria família e selar seu destino ao de Arthur para sempre.

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