A Verdade Revelada
O zumbido do V-7 não era mais um ruído mecânico; era uma pulsação rítmica, uma extensão do meu sistema nervoso que vibrava em harmonia com o reator sobrecarregado. O placar da arena, ainda projetando as provas de corrupção que eu havia hackeado, piscava em um vermelho de alerta, mas a tela era o menor dos meus problemas. O hangar tremia sob o impacto das botas magnéticas da guarda de elite da Academia. Eles não estavam lá para uma inspeção de rotina; estavam lá para apagar o erro que eu me tornara.
— Kael, eles estão selando os dutos de exaustão! — A voz de Mestre Aris, via comunicador, soava distorcida pela estática da interferência deliberada. — Se você não sair agora, o V-7 será confiscado e você será descartado. O Conselho não vai permitir que esses logs cheguem aos servidores externos.
Ignorei a dor aguda que subia pela minha coluna, o preço da fusão neural que agora alimentava meu Mech. Eu senti o custo: cada segundo de conexão drenava minha energia vital, mas a clareza que o módulo oferecia era absoluta. Eu manobrei o V-7, derrubando um dos pilares de contenção que bloqueava a saída lateral. O metal retorceu-se como papel diante da força bruta do motor modificado.
Uma silhueta cortou a penumbra do hangar: Lívia. Ela não carregava o habitual desdém de elite; sua expressão era uma máscara de choque contido, com o olhar fixo no monitor do V-7.
— Você não tem ideia do que acabou de iniciar, Kael — a voz dela falhou, um tremor raro que traiu a rigidez de sua postura. — Se esses dados vazarem, a hierarquia inteira entra em colapso. Eles vão apagar você.
— A hierarquia já está morta, Lívia. Você só está escolhendo o lado errado para cair — respondi, mantendo a mão firme na alavanca de ignição.
Antes que ela pudesse responder, uma explosão sônica sacudiu a estrutura. Mestre Aris estava parado entre o V-7 e o portão principal, segurando um dispositivo de override que mantinha os sistemas de segurança da ala técnica em um loop de erro forçado. Sua postura era de uma resignação absoluta.
— O Campo de Provas foi desenhado para nos consumir, Kael — a voz de Aris, ríspida e cansada, ecoou no cockpit. — Vá. O log de batalha do seu pai já está transmitindo. A faísca foi acesa.
Aris ativou o pulso eletromagnético que fritou os painéis laterais, criando uma cortina de fumaça e faíscas. A guarda de elite recuou, momentaneamente cega. Eu não hesitei. Acelerei o V-7, rompendo o portão principal e lançando-me para o exterior, onde a metrópole se estendia como um labirinto de luzes frias e dívidas impagáveis.
Ao longe, vi o horizonte da cidade. O módulo em meu peito emitiu um novo sinal, um mapa codificado que brilhava em minha interface neural, apontando diretamente para o núcleo do sistema da Academia. O Campo de Provas foi apenas o treinamento; a guerra real contra o sistema começava agora. A ascensão estava apenas começando.