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Chapter 5: Sob o Olhar do Inimigo

Helena confronta sua tia na gala, forçando Rafael a sacrificar sua credibilidade pública para protegê-la. Após o evento, Rafael confronta Helena sobre a espionagem, propondo um pacto de aliança total para a reunião de diretoria que ocorrerá na manhã seguinte.

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Sob o Olhar do Inimigo

O salão de gala no Clube Harmonia era um teatro de sombras onde a reputação valia mais que o sangue. Helena sentia o peso do colar de diamantes — uma peça que ela recuperara com precisão cirúrgica — como um grilhão. Ao seu lado, a mão de Rafael na base de suas costas não era um gesto de carinho, mas uma marca de posse que a mantinha sob controle. Ela sabia a verdade: ele era o arquiteto do 'Projeto Âncora', o plano que, meses antes, selara a ruína financeira de sua família. O arquivo digital escondido em sua bolsa parecia queimar contra sua pele, uma promessa de destruição que ela guardava para o momento certo.

— Relaxe, Helena — sussurrou Rafael, o hálito roçando seu ouvido enquanto ele forçava um sorriso para as câmeras. — Amanhã, às oito, a fusão será assinada. Não estrague nossa reputação com essa rigidez na mandíbula. O conselho precisa de uma noiva apaixonada, não de uma estátua.

Helena virou o rosto para ele, os olhos encontrando a frieza calculada que ele usava como escudo. — A reputação é uma moeda volátil, Rafael — retrucou ela, a voz baixa, carregada de uma promessa que ele ainda não conseguia decifrar. — Eu não sou uma peça decorativa no seu tabuleiro. Lembre-se disso quando a reunião começar.

Ela se afastou, buscando refúgio na área do buffet, mas o alívio foi breve. Tia Elvira, a mulher que orquestrara seu exílio anos atrás, surgiu entre as colunas, bloqueando seu caminho. Seus olhos, gélidos e predatórios, varriam o rosto de Helena como se buscassem uma rachadura na máscara.

— Você tem uma semelhança inquietante com alguém que deveria estar enterrada — Elvira murmurou, a taça de champanhe tremendo levemente. — Onde esteve durante todos esses anos? O registro que Rafael apresentou é, no mínimo, criativo.

Helena sentiu o sangue pulsar nas têmporas, mas sua postura permaneceu impecável. — A história da família Lane, Elvira, é feita de omissões convenientes — respondeu Helena, mantendo o tom nivelado. — Se a senhora busca o registro de 2012, talvez devesse se perguntar por que a propriedade de Angra foi vendida logo após o meu desaparecimento. Um detalhe que a auditoria interna achará fascinante amanhã cedo.

O rosto de Elvira empalideceu, mas, sentindo-se encurralada, ela levantou a voz, atraindo a atenção da elite presente. — Alguém deveria avisar ao Sr. Rafael que ele está sendo enganado! Esta mulher é uma impostora, uma peça de teatro barata!

O silêncio caiu sobre o salão como uma lâmina. Rafael interveio imediatamente. Ele caminhou até elas com uma elegância implacável, posicionando-se ao lado de Helena. Sem hesitar, ele retirou um envelope de seu paletó e o entregou a um dos conselheiros próximos, um documento que validava a identidade de Helena. Era uma mentira deslavada, mas que custava a Rafael sua própria credibilidade no conselho, um sacrifício que ele não planejava fazer.

— A Sra. Elvira parece confusa devido à idade — Rafael declarou, sua voz ecoando com autoridade. — Minha noiva é quem ela diz ser, e qualquer dúvida sobre isso é uma ofensa direta à nossa fusão.

Horas depois, no terraço privado da cobertura, o ar noturno era cortante. Rafael a encontrou lá, isolada entre as luzes da cidade. Ele não se aproximou imediatamente; permaneceu na sombra, observando-a com aquele olhar analítico que a desafiava.

— Você vasculhou mais do que deveria nos arquivos — Rafael disse, a voz baixa, afiada como uma sentença. — O Projeto Âncora não é para curiosos. Você sabe o que eu fiz, não sabe?

Helena girou, a luz dos candelabros desenhando sombras duras em seu rosto. Ela não recuou. — Eu aprendi a ler as entrelinhas do seu contrato, Rafael. Você me escolheu porque acreditou que a raiva me cegaria. Você só esqueceu de considerar que a raiva também me tornou implacável.

Rafael deu um passo à frente, sua expressão mudando de frieza para uma curiosidade perigosa. — Então temos um impasse. Você tem a prova, e eu tenho o poder para destruir o que resta da sua família amanhã às oito. Que tal um pacto? A verdade sobre o Projeto Âncora em troca de uma aliança total na reunião de diretoria.

Helena sustentou o olhar dele, o coração batendo com a certeza de que aquele era o ponto de virada. Ela aceitou o pacto com um aceno, mas, no fundo, guardou a prova documental. A verdadeira batalha estava apenas começando.

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