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Chapter 1: The Contract Clause

Beatriz assume o lugar da irmã no altar para salvar a família da ruína financeira, sendo forçada a um casamento de fachada com o implacável Arthur Valente. Na cobertura dele, ela percebe que a proteção é uma nova forma de cativeiro, enquanto um escândalo público vaza, selando seu destino como ativo da holding Valente.

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The Contract Clause

O perfume de lírios na sacristia da Catedral Metropolitana era sufocante, uma fragrância de funeral que Beatriz, em seu vestido de seda caríssimo, sentia como uma corda apertando seu pescoço. À sua frente, seu pai, com as mãos trêmulas escondidas atrás das costas, evitava encará-la enquanto o advogado da família Valente terminava de recolher os papéis espalhados sobre a mesa de carvalho.

— Ela não está vindo, Beatriz — disse o pai, a voz destituída de qualquer resquício de autoridade. — Helena fugiu. O contrato de fusão exige uma noiva hoje, ou os Valente liquidarão todos os nossos ativos antes do pôr do sol.

Beatriz sentiu o sangue gelar, não pela traição da irmã, mas pela frieza do cálculo financeiro que ditava sua vida. O império de sua família não era nada além de uma fachada, e o homem que esperava no altar, Arthur Valente, não era um cavalheiro; era um predador que não aceitava devoluções.

— Você quer que eu me sente naquele altar e finja ser ela? — Beatriz perguntou, a voz firme apesar do pânico que revirava seu estômago. — Você sabe quem ele é, pai. Arthur não tolera falhas. Se ele descobrir a troca, não será apenas a empresa que ele vai destruir.

— Ele não vai descobrir se você for convincente o suficiente — o advogado interrompeu, deslizando um novo documento sobre a mesa. — Assine aqui. Você substitui a noiva, nós salvamos o legado e você ganha a proteção que o nome Valente oferece.

Beatriz olhou para a caneta. Era uma escolha entre a ruína pública de sua família ou tornar-se um peão no jogo de um homem que ela mal conhecia, mas cujos olhos frios ela já vira em capas de revistas. Com um movimento seco, ela assinou. O destino estava selado.

Horas depois, o silêncio na cobertura de Arthur Valente era tão denso quanto o vidro temperado que isolava os Jardins do caos urbano lá embaixo. Beatriz sentia o peso do vestido de noiva, agora uma armadura pesada e sufocante. O cheiro de café amargo e couro novo impregnava o ar. Arthur estava de costas, observando a metrópole através da parede de vidro. Ele não se virou quando ela entrou, escoltada por um segurança que agora se retirava, deixando-os em uma solidão que parecia uma emboscada.

— O jogo mudou, Beatriz — disse ele, a voz cortante, sem qualquer traço de gentileza.

Arthur girou lentamente, os olhos escuros examinando-a como se ela fosse um ativo de inventário que precisava ser categorizado. Beatriz ergueu o queixo. A humilhação de ter sido a escolha de última hora queimava em seu peito, mas ela não lhe daria o prazer de vê-la desmoronar.

— Minha irmã não está aqui — respondeu ela, mantendo a postura.

— Eu sei — Arthur deu um passo à frente, sua presença dominando o espaço. — Eu sabia que ela fugiria. Helena sempre foi impulsiva. Você, por outro lado, é uma aposta muito mais interessante para o meu portfólio.

Na manhã seguinte, o tilintar da porcelana contra o mármore foi o único som na cobertura gélida. Beatriz encarou a xícara de café, tentando ignorar o olhar clínico de Arthur.

— O contrato especifica que sua imagem pertence à holding pelos próximos seis meses — Arthur disse, a voz cortante como lâmina. — Você não sai deste prédio sem minha autorização. Não respira sem que eu aprove.

Beatriz largou a colher, o som ecoando. Ela se inclinou, desafiando a distância entre eles.

— Eu fugi de um altar para não ser propriedade de um homem, Arthur. Não troquei uma gaiola por outra.

O maxilar dele travou. Ele se inclinou, o perfume amadeirado cercando o espaço dela. Antes que pudesse responder, o celular de Arthur vibrou. Ele desviou o olhar, leu a notificação e um sorriso predador se formou. O escândalo vazara.

— Seus seguidores estão em polvorosa, Beatriz. A noiva fugitiva é o assunto mais comentado do país — Arthur deslizou o aparelho pela mesa, exibindo a manchete que destruía a reputação dela em tempo real. — Você não é mais uma pessoa; é um ativo em crise.

Beatriz sentiu o sangue gelar, mas manteve o olhar fixo no dele. Arthur caminhou até a porta, parando para observar o caos que se desenrolava na tela do celular, antes de encará-la com um desdém que prometia tanto perigo quanto proteção:

— Você sabe que não é quem eu pedi, mas é quem eu vou manter.

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