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Chapter 3: Sussurros no Salão

Elena navega pela pressão do baile de caridade, onde a desconfiança sobre a ausência de Isabella cresce. Ela descobre, através de uma conversa sigilosa no terraço, que a noiva original fugiu por medo de sabotadores internos na Valente Holdings. Arthur a usa como isca pública, selando seu destino com uma foto que a expõe como o novo alvo da conspiração.

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Sussurros no Salão

O cristal dos candelabros do Grand Palais cortava o ar como navalhas. Elena sentia cada faceta refletindo sua impostura. O braço de Arthur, rígido sob o terno de alfaiataria impecável, era a única âncora que a mantinha ereta enquanto atravessavam o mármore do salão. A cada passo, a pressão do contrato assinado horas antes vibrava em sua pele como uma marca de ferro em brasa.

— Sorria, Elena — Arthur sussurrou. A voz era baixa, um comando privado carregado de uma autoridade que exigia submissão imediata. — A elite de São Paulo não perdoa falhas de etiqueta, e eu não tolero erros de casting.

Elena forçou os lábios a se curvarem, sentindo o peso das joias de Isabella — agora suas, como parte da encenação — pesarem como algemas em seu pescoço. Ela era a noiva substituta, a peça descartável em um tabuleiro onde o xeque-mate significava a ruína definitiva da família Alencar. Roberto, o investidor rival, observava-os de um canto, a taça de champanhe suspensa, o olhar cínico mapeando a hesitação de Elena.

— Eles estão notando a diferença — ela murmurou, sentindo o suor frio na base da nuca. — Isabella era expansiva. Eu sou transparente demais para este papel.

Arthur a puxou com uma brusquidão possessiva para perto de seu corpo. A mão firme em sua cintura não era afeto; era um aviso de posse que mantinha a elite à distância, mas que a isolava em uma redoma de vidro. O toque enviou um choque elétrico que ela tentou ignorar, mas o calor dele contra sua pele era um lembrete constante de que ela era um ativo sob custódia.

No bar do salão, o embaixador Oliveira, um homem cujos olhos sagazes pareciam escanear Elena à procura de rachaduras na fachada, interceptou-os.

— Sr. Valente, uma honra — disse Oliveira, ignorando a frieza óbvia de Arthur. — Onde está a jovem Isabella? Recebi notícias de que ela não estava se sentindo bem. Uma viagem repentina para a Suíça? É raro Isabella abandonar um baile beneficente em favor de um consultório médico.

O ar ao redor de Elena rarefez. Se ela vacilasse agora, o império de Arthur colapsaria, e a ruína de sua família seria imediata.

— Minha noiva prefere a discrição, Embaixador — Arthur respondeu, o tom glacial silenciando qualquer objeção. — E, como pode ver, ela está muito bem acompanhada. Não há necessidade de preocupar-se com o itinerário da minha futura esposa.

Oliveira recuou, mas o dano estava feito. Elena sentiu o peso do olhar do diplomata sobre ela, uma análise fria que parecia atravessar seu papel. Enquanto Arthur se afastava para uma conversa rápida com um aliado, Elena buscou refúgio no terraço. O frio da noite de São Paulo era um contraste brutal com o calor sufocante do salão.

Ao se aproximar da balaustrada, vozes abafadas vindas de um recanto oculto pelas trepadeiras a paralisaram. Eram dois membros do conselho da Valente Holdings.

— A substituta é uma aposta desesperada — disse um deles. — Se Arthur não encontrar os documentos que Isabella levou, a fusão colapsa antes do amanhecer.

— Isabella não levou apenas papéis — o segundo homem riu, um som seco e cruel. — Ela levou a prova de que a sabotagem vem de dentro. Ela não fugiu por capricho; fugiu porque o conselho a encurralou. Ela sabia demais sobre os desvios de verba que Arthur ainda não descobriu.

Elena recuou, o salto arrastando no mármore. O medo que sentia não era mais apenas pela dívida de sua família; era um terror visceral. Ela não era apenas uma noiva de fachada; ela era um alvo. Arthur não a protegia por bondade; ele a usava como isca para distrair os sabotadores enquanto ele próprio caçava os traidores.

Antes que pudesse processar a traição, Arthur surgiu no terraço. Seus olhos escuros, fixos nela, pareciam ler cada pensamento. Sem dizer uma palavra, ele a conduziu de volta ao salão, onde a imprensa os cercou como abutres.

— Sr. Valente! Uma palavra sobre o boato do adiamento da fusão? — um repórter gritou, a lente da câmera disparando como um tiro no escuro.

Arthur não parou. Ele girou o corpo de Elena, protegendo-a com seu próprio torso enquanto sua mão subia para envolver a nuca dela, puxando-a para perto em um gesto de possessividade quase violenta. O flash estourou, capturando o momento exato em que Elena olhou para cima, os olhos arregalados, e Arthur a observava com uma intensidade que parecia devorá-la diante de todos.

— Sorria, Elena — ele murmurou, a voz roçando a orelha dela. — O espetáculo precisa convencer até os mais céticos.

Ela sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com o frio. Naquele instante, ela compreendeu: o perigo que forçou a fuga de Isabella não era um boato. Era uma sombra, e agora, com aquela foto estampada em todos os jornais, essa sombra acabara de encontrar o seu novo endereço.

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