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Chapter 12: O Poder da União

Beatriz consolida sua posição como sócia e noiva de Rafael ao expor publicamente os crimes do patriarca Viana durante a cerimônia de casamento. A vingança é concluída com a expulsão do patriarca e a assunção definitiva de Beatriz como co-governante do império Viana.

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O Poder da União

A cobertura nos Jardins não era mais um refúgio; era uma sala de guerra. Beatriz observava o reflexo de Rafael no vidro temperado que separava o luxo do escritório da metrópole que ele, até pouco tempo atrás, acreditava possuir sozinho. Abaixo, o anúncio do noivado circulava em todos os portais de economia, uma rede de segurança que ela mesma tecera para garantir que, se ele caísse, o império não a levaria junto.

— O seu pai não vai apenas tentar impedir a cerimônia, Rafael — Beatriz disse, a voz desprovida de hesitação. Ela não estava ali para ser consolada. — Ele já iniciou a transferência dos ativos da holding para uma conta fantasma. O sabotador não é um funcionário; é o homem que te deu o nome.

Rafael virou-se, o rosto endurecido. A hesitação em seus olhos era um vácuo de poder que Beatriz não pretendia preencher com piedade. Ele temia o colapso do sobrenome Viana, o escândalo que destruiria a holding antes da fusão.

— Se eu agir contra ele agora, a queda será pública — ele respondeu, a voz contida.

Beatriz caminhou até a mesa de mogno e deslizou o pen-drive. — A queda já começou. Eu vazei o rastro digital da conta fantasma para a comissão de valores mobiliários há uma hora. O seu pai não é mais o dono do jogo, Rafael. Ele é o réu. Escolha de que lado do tribunal você vai estar.

Rafael encarou o dispositivo, depois a mulher que, diante dele, não pedia proteção, mas exigia uma parceria de igual para igual. O vácuo de poder foi preenchido por um respeito frio e cortante.

*

Na suíte nupcial, o ar estava saturado pelo cheiro de lírios e a tensão de um contrato prestes a ser selado. Beatriz ajustou o tecido do vestido — uma estrutura de seda e arquitetura rígida que funcionava como uma couraça. No espelho, a mulher que refletia não era a reserva descartável de meses atrás; era uma sócia com 25% das ações e a chave mestre da rede de segurança da holding.

A porta se abriu sem aviso. Helena, sua meia-irmã, entrou com um sorriso que não alcançava os olhos.

— Casar-se com Rafael Viana não vai apagar a sua origem, Beatriz. Ele é um homem de negócios, não de sentimentos. Quando o contrato expirar, você voltará para o nada.

Beatriz girou na cadeira com uma calma calculada. — Você está atrasada, Helena. Não apenas para a cerimônia, mas para a sua própria defesa. Os auditores estão na sua casa neste momento. A investigação fiscal que eu iniciei não busca apenas a sua reputação, mas cada centavo que a sua família desviou das contas dos investidores. Você não é mais uma ameaça; você é um ativo em liquidação.

Helena empalideceu, a taça tremendo em sua mão. Beatriz não esperou pela resposta; ela se levantou, a silhueta impecável, e caminhou em direção à porta. Ela era intocável.

*

A nave da igreja estava comprimida, uma mistura de incenso e a eletricidade estática de quinhentos olhares famintos. Beatriz sentia o peso do tecido branco como uma estrutura rígida, desenhada para que cada fibra dissesse que ela não estava ali para ser exibida, mas para ocupar.

Rafael a aguardava no altar. Seus olhos, escuros e fixos, não buscavam a noiva tradicional, mas a aliada que confirmara a sabotagem interna. O patriarca Viana levantou-se, a fúria vincando seu rosto.

— Isso é uma farsa! — ele bradou. — Ela é uma oportunista que roubou o dossiê da nossa família!

Rafael não hesitou. Ele deu um passo à frente, bloqueando a visão do pai, e segurou a mão de Beatriz com uma firmeza que silenciou a igreja. — O que Beatriz possui não é um roubo, pai. É a prova da sua incompetência criminosa. A segurança já foi notificada.

Os seguranças cercaram o patriarca. A queda foi rápida, cirúrgica e, acima de tudo, pública. Enquanto ele era escoltado para fora, Rafael voltou-se para Beatriz, o contrato de noivado selado não pela tradição, mas pela conquista mútua.

*

No salão de festas do Hotel Fasano, o zumbido de sussurros cessou quando o casal entrou. Beatriz ajustou o broche de safira, sentindo o peso do metal — o selo de sua autoridade.

— O patriarca Viana deixou o salão — Rafael disse, a voz baixa. — Ele perdeu o acesso aos servidores. O bloqueio que você instalou não permite que ele mova um centavo.

— Não é apenas o controle financeiro, Rafael — Beatriz respondeu, sustentando o olhar dele. — É a prova de que a era do medo acabou. Eles esperavam uma noiva reserva para ocupar um espaço vazio. Eles não contavam que eu leria cada cláusula do contrato antes de assiná-lo.

Rafael aproximou-se, invadindo seu espaço pessoal com uma intensidade que não era mais obrigação contratual, mas escolha. — Eu nunca quis uma noiva, Beatriz. Eu queria alguém que pudesse governar este império comigo.

Beatriz olhou para o salão, para as pessoas que antes a humilhavam e que agora a observavam com um misto de temor e reverência. O ciclo de vingança estava completo, mas a parceria apenas começava. No altar e no salão, a verdade se consolidou: ela não era mais a noiva que nunca foi a reserva; ela era, finalmente, a dona do império.

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