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Chapter 5: Proteção sob Fogo

Beatriz utiliza o dossiê da falência de sua família como alavanca para negociar sua posição durante uma crise corporativa na holding de Rafael. Após ela salvar a imagem pública dele, Rafael destrói as provas contra a meia-irmã de Beatriz, consolidando uma nova dinâmica de poder e proteção, enquanto a tensão entre eles escala para um nível pessoal e perigoso.

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Proteção sob Fogo

A cobertura nos Jardins não era um lar; era um tabuleiro de xadrez de vidro e aço, onde o silêncio de Rafael funcionava como uma contagem regressiva. Beatriz caminhou até a mesa de jacarandá, o dossiê sobre a falência dos Vasconcelos pesando em sua mão como uma sentença. O jantar com os investidores terminara há pouco, mas a eletricidade daquela arena corporativa ainda vibrava no ar. Rafael estava de costas, observando as luzes de São Paulo, imóvel.

— Você sabia — disse ela, a voz cortante, sem espaço para hesitação. — O sócio, a manobra, o colapso da minha família. Não foi uma fatalidade do mercado. Foi um projeto, e você tinha a planta do edifício.

Rafael girou sobre os calcanhares. Seus olhos, escuros e impenetráveis, avaliaram o dossiê antes de pousarem nela com uma frieza que a fez sentir-se, pela primeira vez, não como uma noiva substituta, mas como uma peça que ele precisava decidir se descartava ou movia para o centro do tabuleiro.

— A falência dos Vasconcelos foi um efeito colateral, Beatriz. Uma limpeza necessária de ativos obsoletos — respondeu ele, sem remorso. — Se esperava um pedido de desculpas, está no lugar errado.

Antes que ela pudesse retrucar, o celular de Rafael vibrou. O pânico na tela era visível antes mesmo dele atender. Um vazamento de dados atingira a holding. O mercado reagia com a ferocidade de um tubarão farejando sangue. Os sócios, aproveitando a crise, já exigiam uma auditoria externa, tentando isolá-lo.

— Estão tentando destruir a credibilidade da fusão — Rafael admitiu, os nós dos dedos brancos contra a mesa. — Eles querem que eu pareça um líder instável. Vão transformar meu noivado em um espetáculo de falência.

Beatriz não se aproximou. Ela sabia que a vulnerabilidade ali era uma armadilha, mas o dossiê em suas mãos era a chave.

— Eles não querem apenas a auditoria. Querem que você caia. Deixe-me cuidar da imprensa — ela propôs, a voz gelada. — Se eu aparecer como a noiva dedicada que apoia o parceiro em meio à 'transparência corporativa', eles não podem nos tocar. Vou transformar esse desastre em uma demonstração de força.

Rafael a observou, o silêncio durando segundos demais. Ele reconheceu a astúcia. Ela não era um escudo; era uma arma estratégica.

Horas depois, após uma coletiva de imprensa magistralmente manipulada onde Beatriz transformou o vazamento em uma política de 'auditoria voluntária de integridade', o casal retornou ao terraço. O sucesso era palpável, mas o custo era alto.

— A manobra foi impecável — Rafael comentou, o vento soprando seus cabelos. — Meus sócios estão em pânico. Eles temem o que não podem controlar.

— Eles têm motivos — Beatriz rebateu, dando um passo à frente. — Quero a gestão do fundo de caridade da holding e a anulação definitiva da dívida dos Vasconcelos. Não como um favor. Como compensação pelo dano que seu sócio causou.

Rafael caminhou até uma pasta de couro e a estendeu. Dentro, estava o dossiê que Beatriz usaria para destruir sua meia-irmã, Elena. Ele o retirou das mãos dela com uma suavidade perigosa e, sem desviar o olhar, deixou o conteúdo cair sobre o triturador de papel industrial ao lado da mesa. O som mecânico das lâminas cortando o papel foi a única resposta.

— Você acha que isso era seu trunfo final — disse ele, a voz um sussurro que vibrava no ambiente. — Eu não preciso de provas para destruir Elena. Eu preciso de uma parceira que entenda que, no meu mundo, nós não nos vingamos com papéis. Nós nos vingamos com poder absoluto.

Ele deu um passo, invadindo o espaço pessoal de Beatriz. O olhar dele não era mais o de um sócio frio; havia uma intensidade predatória, uma fome que ela não tinha previsto.

— Um presente, não um favor — ele declarou, observando-a como se ela fosse o prêmio mais valioso que ele já havia conquistado. Beatriz sentiu o chão sob seus pés vacilar, não pelo medo, mas pela percepção aterrorizante de que ela havia acabado de trocar uma dívida financeira por uma conexão muito mais perigosa.

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