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Chapter 2: A Máscara de Vidro

Helena é levada à cobertura de Arthur após o noivado público. Sob pressão, ela mente sobre a natureza da chantagem que sofre, apenas para descobrir que Arthur já mapeou sua vida e a existência de Leo em um dossiê detalhado. O capítulo termina com uma ligação urgente da escola de Leo, indicando que a segurança do filho foi violada.

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A Máscara de Vidro

O ar dentro da limusine blindada era rarefeito, carregado com o perfume de sândalo de Arthur e o silêncio cortante de uma sentença cumprida. Lá fora, os flashes dos fotógrafos disparavam como artilharia pesada, transformando o estacionamento do Palácio dos Cedros em um campo de batalha. Helena mantinha as mãos sobre o colo, os dedos cravados na seda do vestido, sentindo o peso do anel de noivado que Arthur, sem aviso ou pedido, deslizara em seu dedo minutos antes de saírem do salão.

— Sorria — murmurou Arthur, sem desviar o olhar do vidro fumê. — A sua dignidade, no momento, é um ativo que estamos valorizando. Não estrague o investimento com uma expressão de derrota.

Helena virou o rosto para ele. A luz dos flashes refletia no vidro, desenhando sombras duras sob as maçãs do rosto dele.

— Você não me salvou, Arthur. Você me comprou. A diferença é que agora todos os seus inimigos sabem exatamente onde me encontrar.

— Eles sabem apenas o que eu quero que saibam — ele rebateu, a voz desprovida de qualquer calor humano. — Você é a minha noiva. E, para o mercado, isso significa que qualquer dívida sua agora é uma questão de honra da minha família. Seus credores não vão mais te procurar. Eles vão tentar negociar comigo. E eu não costumo ser um homem generoso com abutres.

O carro parou sob o pórtico de seu arranha-céu. O silêncio dentro do elevador privativo que os levou à cobertura era ainda mais denso. Helena mantinha a postura rígida, sentindo o peso do olhar de Arthur sobre ela. Ele não parecia um salvador; parecia um estrategista calculando o custo de um ativo volátil.

— Você tem exatamente quatro minutos até chegarmos — a voz de Arthur era um bisturi. — Explique por que ex-sócios de um falecido medíocre têm poder suficiente para humilhar você em um baile de gala. O que eles têm sobre você que não consta nos registros de dívidas?

Helena sentiu o estômago revirar. A menção ao marido falecido era um golpe baixo, mas o alvo real era Leo. Se ela revelasse a existência do filho, Arthur não veria um motivo para proteção, veria uma fraqueza explorável.

— Eles têm acesso a contratos que provam que o meu marido desviou fundos que agora são reivindicados como meus — Helena mentiu, mantendo a voz firme. — É uma questão puramente financeira.

Arthur deu um passo à frente, diminuindo o espaço pessoal. O perfume dele invadiu seus sentidos.

— Mentir para o seu parceiro de contrato é um erro de cálculo custoso, Helena. Eu já comprei suas dívidas. Se eles voltarem a incomodar, eu não vou apenas pagar. Eu vou destruir.

Ao chegarem à cobertura no Itaim Bibi, o luxo não parecia um refúgio; era uma vitrine de poder onde o silêncio custava caro. Arthur indicou com um gesto seco a mesa de centro de ébano.

— O contrato está aí. Revise. Amanhã, a imprensa terá acesso à nossa primeira aparição pública. Não quero falhas.

Ele girou nos calcanhares e desapareceu no escritório. Helena se aproximou da mesa, esperando encontrar apenas as cláusulas de sua servidão. Em vez disso, sob o documento oficial, havia uma pasta de couro preta, entreaberta. O nome de seu falecido marido, impresso em uma etiqueta de arquivo, saltou aos seus olhos. Ela abriu a pasta. Não eram apenas documentos financeiros; eram fotos, registros de chamadas e uma árvore genealógica meticulosamente traçada. Ali, no centro da teia, estava o seu rosto ao lado do de Leo.

A respiração de Helena falhou. Arthur não a salvara por impulso; ele a capturara como uma peça de xadrez, mapeando cada vulnerabilidade antes mesmo de se aproximar. Antes que ela pudesse processar a extensão da invasão, o celular em sua bolsa vibrou com uma urgência que cortou o ar estéril da cobertura. O visor exibia o ícone da escola de Leo.

— Helena? — A voz da diretora soou tensa. — Sinto muito pela hora, mas tivemos um incidente. Um homem esteve aqui há pouco. Ele tentou retirar o Leo, alegando ser o pai e apresentando documentos que pareciam... convincentes.

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