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Chapter 4: Aliança de Sangue e Seda

Helena enfrenta a pressão do conselho corporativo enquanto Rafael a defende publicamente, consolidando a farsa. Após o confronto, Rafael a impede de roubar a chave da prova da herança, mas, em um gesto de proteção possessiva e estratégia, transfere ações da holding para o nome dela, elevando seu status de noiva a acionista com poder de voto.

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Aliança de Sangue e Seda

A porta da suíte presidencial não cedeu; ela foi invadida. O impacto do metal contra a madeira nobre ecoou como um disparo, e antes que Helena pudesse processar o movimento, o conselho da Viana Holding já ocupava o espaço. O ar, antes saturado pelo perfume de sândalo de Rafael, agora pesava com o cheiro de charutos caros e a hostilidade calculada de homens que viam Helena como um erro de cálculo.

À frente, o patriarca da família de Helena — o homem que a apagou da árvore genealógica com a mesma frieza com que assinava balanços trimestrais — a encarava com uma fúria que roçava o pânico.

— Onde está a noiva, Rafael? — a voz do homem cortou o silêncio. — Esta impostora não passará de amanhã. O mercado já percebeu a troca. As ações estão derretendo.

Helena permaneceu imóvel. O vestido de gala, que horas antes parecia uma armadura, agora pesava como uma mortalha. Ela sentiu o olhar de Rafael sobre ela, um peso frio e possessivo. Ele não se levantou imediatamente da poltrona de couro onde a chave prateada — sua garantia e a dela — repousava sobre a mesa de mogno, um troféu de poder à vista de todos.

— Ela é a minha noiva, e isso é o que basta para o contrato de fusão — respondeu Rafael, a voz tão gélida quanto uma lâmina. Ele se levantou com a precisão de um predador, cruzando a sala. — Se vocês se preocupassem tanto com a integridade da linhagem quanto se preocupam com as margens de lucro, não estariam aqui tentando intimidar uma mulher que detém, por direito e documento, o controle majoritário das ações que vocês juraram proteger.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. O conselho recuou, confuso pela audácia da afirmação. Quando a porta finalmente se fechou atrás dos homens, Helena viu sua chance. A chave prateada, o único vínculo físico entre ela e sua herança, brilhava sob a luz do lustre. Ela deu um passo, seus saltos mal tocando o tapete, quando o som de uma trava eletrônica sendo acionada a paralisou.

Rafael não olhava para a porta. Ele a observava com uma intensidade predatória, bloqueando a saída do escritório.

— Você tem uma obsessão curiosa por objetos que não lhe pertencem, Helena — a voz dele cortou o ar. — Achou mesmo que eu deixaria a única prova da sua linhagem ao alcance de uma garçonete que mal sabe esconder a própria ganância?

Helena endireitou a postura, o queixo erguido.

— Não é ganância, Rafael. É recuperação de ativos. Você não me trouxe aqui para ser uma noiva; você me trouxe porque eu sou a única arma capaz de implodir a família que nos traiu. Se a arma for inútil, o plano falha. Eu preciso dessa chave para garantir que, quando o império cair, eu tenha algo para segurar.

Rafael deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. O calor do corpo dele era uma distração perigosa, uma pressão que ela sentia como um nó corrediço.

— Você é astuta — ele murmurou, a mão subindo para tocar o fio do colar dela. — Mas a proteção tem um custo. Você quer poder? Eu lhe darei poder. Mas você não tocará naquela chave até que eu decida que você é capaz de sobreviver ao que está dentro daquele cofre.

Antes que ela pudesse retrucar, um estrondo ecoou contra a madeira da entrada. A porta foi empurrada com força por um dos seguranças da família, um homem cuja brutalidade era a marca registrada da madrasta de Helena. Ele entrou sem convite, o olhar fixo em Helena com um desdém que a fez recuar um passo instintivo.

— O senhor Viana está enganado — o segurança rosnou, avançando. — A família não reconhece essa impostora. O acordo foi feito com a herdeira legítima, não com uma sombra que apareceu do nada para usurpar um lugar que nunca lhe pertenceu.

O homem ergueu a mão, um movimento agressivo em direção ao braço de Helena. Antes que o contato ocorresse, Rafael surgiu como um borrão. Ele bloqueou o segurança com uma violência fria e calculada, prendendo o braço do intruso contra o peito e forçando-o a recuar com uma pressão que fez o osso estalar.

— Ninguém toca nela — a voz de Rafael era um rosnado baixo. Ele empurrou o segurança para fora da suíte com um golpe seco na porta. — Se a família quer guerra, eles terão. Mas Helena é minha, e o que é meu, eu protejo com o que for necessário.

Ele voltou-se para ela, a respiração ainda alterada. Rafael caminhou até a mesa, pegou um documento e o estendeu para ela.

— Assine aqui. Acabei de transferir ações da holding para o seu nome. Agora, você não é apenas uma noiva. Você é uma acionista com poder de voto. Se quer o seu império de volta, Helena, é hora de começar a governar.

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