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Chapter 9: O Cerco Final

Lucas confronta o CEO da construtora na sede da empresa, utilizando o livro-razão e a fita cassete como alavanca. O CEO oferece um acordo: a preservação do bairro em troca da autoincriminação de Lucas pelos desvios do pai, o que destruiria sua vida profissional em Londres. Lucas aceita o sacrifício.

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O Cerco Final

O cheiro de concreto úmido e poeira de tijolo queimado impregnava a pele de Lucas, um contraste brutal com o ar condicionado estéril do saguão da Construtora Horizonte. Ele não era mais o herdeiro que desembarcara com uma mala de grife e planos de liquidação rápida. Agora, ele era o homem que carregava o peso de uma rede clandestina sob o braço, contida em um livro-razão de capa gasta que cheirava a mofo e segredos de décadas.

Tiago o seguia, os olhos inquietos varrendo o saguão de mármore. Ele não era mais o capanga que o ameaçara no início; era um homem quebrado, cujas mãos tremiam ao segurar o envelope com as provas da traição de Julian Vane.

— Eles sabem que você está aqui, Lucas — Tiago sussurrou, a voz rouca. — Os seguranças já bloquearam a saída dos fundos. Se você não entregar o livro, eles vão apagar qualquer rastro da sua passagem por este bairro antes do anoitecer.

Lucas não parou. Ele atravessou o saguão com a determinação de quem já havia perdido o direito à própria vida que construíra em Londres. Quando o segurança tentou interceptá-lo, Lucas não recuou; ele apenas exibiu a capa do livro-razão como se fosse uma arma carregada.

— Diga ao seu CEO que o herdeiro dos desvios da rede de proteção chegou — Lucas disse, a voz firme, cortando o burburinho do escritório. — Diga que, se eu não subir agora, o próximo lugar onde esses nomes serão lidos será na delegacia ou na primeira página dos jornais de amanhã. O silêncio que se seguiu foi absoluto.

As portas do escritório principal se abriram. O CEO, um homem cujos traços pareciam suavizados por anos de contabilidade criativa, sorriu ao vê-lo entrar.

— Lucas, você tem um talento peculiar para o drama. Vane já nos avisou sobre sua instabilidade. O projeto do bairro é um ativo de alta prioridade. Não o transforme em um suicídio profissional.

Lucas depositou o livro-razão sobre a mesa de mogno. O som do couro surrado batendo contra a superfície polida foi um tiro no silêncio do andar.

— Isso não é apenas um registro, é o mapa de como o seu projeto foi financiado por desvios do meu pai. Eu também estou nessas páginas. Minha carreira em Londres, tudo foi pago com o suor de vizinhos que o senhor chama de 'entrave imobiliário'.

Antes que o CEO pudesse responder, a porta abriu-se novamente. Tiago entrou, ignorando a segurança, e jogou uma fita cassete sobre a mesa.

— Eles não vão cumprir nada — Tiago disparou, os olhos fixos no executivo. — Me prometeram uma vida nova em troca de te derrubar, mas a construtora já tem o próximo alvo. É a voz do seu pai, Lucas. Ele sabia de tudo.

O CEO suspirou, a máscara de calma começando a rachar. Ele empurrou um documento para o centro da mesa, o olhar fixo em Lucas.

— Você quer salvar o bairro? Aqui está o acordo. Um fundo de preservação perpétua para as famílias. Mas, em troca, você assume a responsabilidade legal por todos os desvios passados, lavando o nome da construtora e entregando-se como o único culpado. Você sai daqui livre, mas sua vida em Londres acaba hoje. Você será o rosto da ruína financeira do seu próprio pai.

Lucas pegou a caneta. O peso do destino selado entre o papel e o silêncio do executivo era a única coisa que restava. Ele olhou para Tiago, depois para o documento. A liberdade de Londres era uma ilusão; a dívida do bairro era a única verdade que lhe restava. Ele assinou.

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