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Chapter 11: O Duelo de Vértice

Caio vence o duelo final na Arena de Nível Superior, utilizando a técnica proibida de acionamento reverso para superar a sabotagem de Dantas. Com o apoio público de Lia Azevedo e a exposição da fraude regulatória nos telões, Caio garante sua ascensão e a anulação de sua dívida, enquanto o sistema da Academia entra em colapso institucional.

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O Duelo de Vértice

O placar da Arena de Nível Superior não mentia: 04:12:00 para o congelamento da temporada. O número, em um tom de âmbar agressivo, flutuava sobre a pista, uma contagem regressiva que não marcava apenas o tempo, mas a validade da existência de Caio Varela na Academia. O Ferrugem, ancorado na baia de lançamento, vibrava com um zumbido metálico irregular. O ombro esquerdo, sua cicatriz mecânica, emitia um estalo seco a cada ciclo de resfriamento.

— O núcleo está em 88% de carga, Caio — a voz de Nando soava pelo comunicador, tensa, filtrada pela estática da sabotagem deliberada que Dantas impusera ao setor. — Se você tentar a saída de compressão com retenção lateral, o ombro vai ceder. O acionamento reverso é uma aposta de cinco segundos. Se passar disso, o Ferrugem vira sucata.

Caio ajustou as travas do cockpit. O cheiro de ozônio e graxa quente era o perfume da sua última chance. Ele olhou para o estrado de observação. Álvaro Dantas estava lá, impecável, observando a arena como se fosse um tabuleiro de xadrez onde ele já havia movido todas as peças. Ao lado dele, a Professora Mirela Sampaio mantinha a postura rígida, mas seus olhos buscavam os de Caio, um sinal silencioso de que o dossiê da fraude já estava em mãos seguras.

O sinal de início ecoou, um som metálico que cortou o ar da arena. O oponente de Caio, um piloto de elite com um chassi de liga leve e selo dourado, avançou com a arrogância de quem nunca precisou remendar um atuador na vida. O impacto inicial foi brutal. O rival colidiu contra o flanco de Caio, forçando o ombro avariado. O painel de controle do Ferrugem explodiu em alertas vermelhos.

— Agora — sussurrou Caio.

Ele acionou o reverso. O Ferrugem, em vez de colapsar sob a pressão, girou sobre o próprio eixo com uma fluidez impossível. A manobra, proibida pelos manuais da Academia, compensou a folga mecânica. Caio atravessou a guarda do rival e desferiu um golpe preciso no núcleo do oponente. O placar da arena mudou instantaneamente: VARELA, C. — 1 PONTO. O murmúrio da plateia, antes de escárnio, transformou-se em um choque palpável.

Dantas, na cabine, viu o placar e seus dedos se moveram sobre o console de sabotagem. O chão da arena começou a vibrar em frequências de desestabilização. Ele queria que o Ferrugem se autodestruísse diante de todos. Caio sentiu a estrutura do mecha protestar, o metal gemendo sob o estresse. Foi quando Lia Azevedo, na passarela lateral, tomou sua decisão. Ela desviou a rota do próprio mecha, bloqueando o terminal de controle de Dantas e criando uma fenda na contenção da pista.

Caio não hesitou. Ele mergulhou pela brecha, a violência de seu avanço selando a aliança pública. A arena viu Lia, a favorita, abrir o caminho para o azarão. Com o tempo esgotando, Caio derrubou o último oponente, o som das travas do Ferrugem fechando como um veredito final. No mesmo instante, o dossiê da fraude foi projetado nos telões da cidade-campus. A sabotagem de Dantas tornou-se a prova de sua própria culpa.

Caio desceu da cabine, o Ferrugem fumegando, enquanto um convite oficial para o circuito superior brilhava em seu terminal. A escada não era mais um labirinto de privilégios; era um caminho que ele acabara de abrir.

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