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Chapter 6: Arena de Nível Superior

Caio enfrenta Lia na Arena de Nível Superior sob a pressão de uma dívida manipulada. Usando o acionamento reverso proibido, ele compensa a falha estrutural do Ferrugem e derrota a favorita, forçando a Academia a reconhecer seu avanço e revelando a fragilidade da hierarquia sistêmica.

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Arena de Nível Superior

O placar da antecâmara não piscava; ele zumbia, uma frequência baixa que vibrava nos dentes de Caio. A mensagem era curta, projetada em letras vermelhas de alta densidade: ACESSO RESTRITO. DÉBITO PENDENTE: 450.000 CRÉDITOS. SELAGEM DE SEGURANÇA ATIVADA.

Caio Varela não olhou para o painel de dívidas. Ele olhou para o Ferrugem. O mecha estava ancorado no berço de manutenção, o ombro esquerdo pendendo dois milímetros abaixo do alinhamento padrão. Nando Piçarra, suado e com as mãos manchadas de graxa sintética, terminou de apertar um parafuso de pressão com uma chave improvisada.

— O núcleo está instável, Caio — Nando sussurrou, sem desviar os olhos da carcaça. — Se você usar o acionamento reverso por mais de cinco segundos, o motor vai fundir. Não é uma possibilidade, é uma sentença.

— Cinco segundos é o que eu tenho — Caio respondeu, ajustando as luvas de pilotagem. Ele sentia o peso da dívida como uma pressão física na nuca. O credor anônimo não queria apenas o dinheiro; queria o espetáculo da sua destruição pública na Arena de Nível Superior.

O portão pneumático sibilou. Lia Azevedo entrou, seu mecha, o Vanguarda, brilhando sob as luzes de halogênio. Ela não caminhava; ela desfilava. A perfeição de sua máquina era uma ofensa ao pátio de sucata onde Caio sobrevivia.

— Dantas está assistindo da tribuna, Caio — Lia disse, a voz amplificada pelo sistema de comunicação da arena. — Ele quer que você tente. Ele quer que o Ferrugem se desmonte na frente de todos. Por que se humilhar?

— Porque a escada não se sobe com elegância, Lia. Se sobe com o que sobra — Caio respondeu, subindo na cabine. O som das travas fechando foi a única resposta que ela recebeu.

Quando o portão da arena se abriu, o ambiente não era o simulador estéril de sempre. Era um labirinto de placas magnéticas móveis e zonas de descarga de alta voltagem. O sistema de ranking, agora visível em tempo real, começou a contabilizar cada movimento. Caio sentiu o Ferrugem vibrar. O ombro esquerdo protestou no primeiro passo, uma dor aguda que subiu pelo braço do piloto.

Lia disparou. O Vanguarda era um borrão de luz branca, disparando rajadas de precisão que forçavam Caio a se mover em padrões erráticos. Ele não podia lutar de frente. Ele precisava ler a arena.

— Você é previsível, Varela! — Lia gritou, enquanto seu mecha saltava sobre uma placa que se elevava do chão.

Caio observou o padrão. As descargas de energia seguiam um ciclo de seis segundos. Ele esperou. Quando Lia se posicionou para o golpe final, Caio não recuou. Ele jogou o Ferrugem na brecha entre duas placas que colapsavam. O impacto quase o apagou, mas ele estava no flanco cego dela.

— Agora — ele murmurou.

Ele acionou o reverso. O núcleo do Ferrugem rugiu, uma nota metálica de agonia. Por cinco segundos, a folga do ombro desapareceu. Ele girou, a força da manobra de retenção lateral jogando o Vanguarda contra a parede de contenção. O placar disparou. O nome de Caio subiu, ultrapassando o de Lia.

O silêncio na arquibancada foi quebrado por um murmúrio de choque. Lia, parada no centro, olhou para o próprio mecha, depois para o de Caio. A máscara de perfeição caiu. Ela não era a vilã; era apenas uma peça que acabara de perceber que o tabuleiro estava sendo virado. Caio não tinha vencido por sorte. Ele tinha vencido porque, pela primeira vez, a Academia viu que o azarão não tinha nada a perder.

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