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Chapter 8: O Baile de Inverno

Rafael e Beatriz enfrentam o escrutínio da elite paulistana após a renúncia de Rafael. Beatriz defende publicamente a parceria contra as provocações de Gustavo, consolidando sua posição como aliada estratégica. O capítulo termina com a tensão entre eles atingindo um novo patamar de intimidade e reconhecimento mútuo.

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O Baile de Inverno

O ar-condicionado do Hotel Unique parecia incapaz de dissipar a eletricidade estática que emanava da elite paulistana. Beatriz ajustou o decote do vestido, sentindo o peso do olhar de centenas de convidados. Não era apenas admiração; era a fome predatória de quem esperava ver o herdeiro dos Bittencourt tropeçar após a renúncia pública ao conselho. Rafael, ao seu lado, mantinha a postura de uma estátua de mármore. Sua mão, firme e seca, repousava sobre a pequena da cintura dela — um toque que, embora protocolar para as câmeras, queimava através do tecido fino. Ele havia sacrificado sua cadeira na empresa para blindar a reputação dela, e o silêncio tenso entre eles era a única prova de que ambos compreendiam o custo daquele movimento.

— Lembre-se — murmurou ele, a voz baixa, carregada de uma autoridade que exigia obediência. — Eles querem um sinal de fissura. Não lhes dê o prazer de ver uma trinca.

Beatriz não respondeu com palavras. Em vez disso, entrelaçou seus dedos aos dele, apertando a palma de Rafael com uma firmeza deliberada. Era um gesto de posse, uma mensagem clara para o salão: eles não eram vítimas de uma circunstância, mas arquitetos de uma aliança.

O refúgio de mármore e cristal do bar parecia oferecer uma trégua, mas Gustavo, o primo de Rafael, emergiu das sombras de um grupo de investidores. O sorriso dele era uma lâmina desprovida de calor.

— Rafael, meu caro — começou Gustavo, a voz projetada para que os próximos convidados ouvissem. — Renunciar ao cargo de CEO para salvar uma fusão que, segundo os boatos, é baseada em um contrato de conveniência? É um sacrifício romântico ou apenas o desespero de quem não tem mais ativos para negociar?

Beatriz sentiu o músculo do braço de Rafael tensionar sob seu toque. O medo de uma resposta explosiva pairou no ar, mas ela se adiantou, o vestido de seda escura agindo como uma armadura.

— O desespero, Gustavo, parece ser uma característica que você projeta nos outros para ocultar sua própria irrelevância — a voz de Beatriz cortou o murmúrio ambiente. — Se você tivesse lido as cláusulas da fundação que agora protegem o capital da Bittencourt, saberia que a fusão não depende de cargos, mas de ativos que você sequer consegue mensurar. A renúncia de Rafael não foi uma perda. Foi uma realocação estratégica de poder. Da qual, eu sugiro, você mantenha distância.

Gustavo vacilou, o escárnio desaparecendo diante da precisão fria com que ela citou os trunfos que ele acreditava serem secretos. Ele recuou, desconcertado pela agência de uma mulher que ele subestimara.

Minutos depois, na varanda privativa, a brisa noturna trazia o som abafado da orquestra. Rafael soltou os botões do paletó, o movimento rígido. Ele não olhou para Beatriz de imediato; seus olhos estavam fixos nas luzes distantes da Avenida Paulista.

— Você não deveria ter se exposto àquela pergunta — a voz dele cortou o silêncio, desprovida de afeto superficial. — Ao me defender daquela forma, você colocou um alvo nas suas costas que eu não posso remover.

— Eu não sou um ativo que precisa ser guardado em um cofre, Rafael — respondeu ela, aproximando-se. — Se você renunciou ao conselho para me proteger, você me deu o direito de lutar ao seu lado. O que você chama de risco, eu chamo de agência.

Rafael virou-se, o olhar intenso, um misto de proteção feroz e uma frustração que ela reconhecia como medo. O silêncio entre eles, antes puramente de poder, agora carregava uma carga elétrica, uma urgência que nenhum contrato poderia conter. De volta ao salão, sob o olhar do conselho, eles dançaram. Rafael a guiava com precisão cirúrgica, mas, naquele momento, Beatriz percebeu que o papel que ela assinara no início era, na verdade, uma confissão de sentimentos que Rafael ainda não ousava pronunciar. No salão de baile, o silêncio entre eles falava mais alto que qualquer negociação.

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