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Chapter 10: O Último Baile

Arthur e Helena comparecem à gala de caridade como aliados públicos, consolidando a ascensão de Helena ao devolver-lhe o controle da Vanguard. O confronto com Alberto Alencar termina com a vitória de Helena, mas a descoberta de um bilhete antigo no bolso de Arthur introduz um novo segredo de família que ameaça o futuro do casal.

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O Último Baile

O espelho de corpo inteiro na suíte da mansão Alencar não refletia mais a arquiteta acuada que, meses atrás, aceitara um contrato como sentença de morte. Helena ajustou o vestido esmeralda, uma peça de corte impecável que não pedia desculpas. Atrás dela, Arthur observava o reflexo, não com a frieza analítica de um investidor, mas com a atenção de quem reconhece um igual. Ele se aproximou e, em vez de palavras, depositou um colar de diamantes sobre a penteadeira — não uma joia de família com o brasão dos Alencar, mas uma peça que ele encomendara após a queda de Alberto.

— Você não precisa disso para ser ouvida hoje — Arthur disse, a voz baixa, carregada de uma proximidade que dispensava negociações. — Mas precisa para lembrar que o seu valor agora é definido por você, não pelas dívidas que tentaram lhe impor.

Ele inclinou-se, os lábios roçando a curva do pescoço de Helena em um gesto que, pela primeira vez, não carregava o peso de uma transação. O contato enviou um choque de realidade: o escândalo de Alberto e as manchetes difamatórias pareciam ter se dissipado. Eles não eram mais reféns de cláusulas; eram sobreviventes no mesmo lado da trincheira.

O lobby do Hotel Fasano pulsava com o zumbido de uma colmeia de luxo. Um ano antes, Helena cruzara aquelas portas como uma arquiteta em ruína, com o desespero disfarçado sob um vestido emprestado. Hoje, a seda em sua pele era a armadura de quem detinha o controle. Ao lado de Arthur, ela não era um ativo, mas uma aliada forjada no fogo das auditorias que quase destruíram o império Alencar.

— Estão esperando um tropeço — murmurou Arthur, a mão firme na base das costas de Helena. Era uma posse pública que, desta vez, emanava a eletricidade de uma escolha mútua.

— Deixe que esperem — respondeu ela, ajustando a postura. — A queda de Alberto foi apenas o fim da era em que precisávamos nos esconder.

Antes que avançassem, Alberto Alencar interceptou o caminho. O patriarca, embora deslegitimado, mantinha a aura de um lobo ferido, cercado por investidores conservadores.

— Arthur. Vejo que decidiu trazer o seu... passivo para a gala — Alberto disparou, a voz alta o suficiente para silenciar as mesas próximas. — A reputação da holding não suporta mais o peso das suas escolhas. A verdade sobre o passado da senhorita Helena permanece enterrada sob pilhas de falência.

O silêncio foi absoluto. Helena sentiu o julgamento da elite, mas não recuou. Ela deu um passo à frente, soltando-se levemente de Arthur, e sustentou o olhar do velho homem.

— O senhor fala de falência como se fosse um pecado, e não uma estratégia que o senhor mesmo orquestrou para tentar tomar minha empresa — a voz de Helena cortou o ar como uma lâmina. — Mas a Vanguard não está enterrada. Arthur a adquiriu na semana passada. E eu a estou presidindo novamente. O senhor não está olhando para um passivo, Alberto. Está olhando para a nova diretora de expansão da Alencar Holding.

O impacto foi imediato. O grupo de investidores trocou olhares nervosos; a narrativa de Alberto desmoronou em segundos. Arthur, ao lado dela, não interveio; ele apenas observou com um orgulho contido que valia mais que qualquer anúncio público.

Mais tarde, no terraço, o vento frio da noite paulistana não alcançava a mureta de mármore onde o casal se isolou. Abaixo, o salão fervilhava com o burburinho de uma elite que, pela primeira vez, não sabia como reagir a um casal que não se sustentava em contratos.

— Eu não comprei você, Helena — Arthur disse, retirando um envelope do paletó. — Eu comprei a Vanguard. Ela é sua, com controle total. Sem cláusulas.

Helena pegou o documento, sentindo o peso da liberdade. Eles se olharam, a barreira final dissolvida. No entanto, ao guardar o envelope, Arthur sentiu um papel diferente em seu bolso: um bilhete antigo, selado com o brasão da família de sua mãe, um segredo que ele acreditava estar enterrado há décadas. Ao notar a hesitação de Arthur, Helena franziu a testa. A paz do momento foi interrompida pelo brilho de algo proibido no olhar dele, uma sombra que indicava que a vitória de hoje era apenas o prólogo para o último e mais perigoso capítulo de suas vidas.

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