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Chapter 10: O Desmascaramento

Kaelen confronta Mestre Vane em seu escritório, utilizando o Núcleo de Estabilização para quebrar as defesas do mestre e expor sua corrupção financeira. Em um julgamento público na Praça da Ascensão, Kaelen apresenta provas que levam à destituição de Vane. No entanto, a vitória é interrompida pela chegada de um emissário da Seita Superior, revelando que a Academia é apenas uma fazenda de extração de energia e que Kaelen agora é um alvo direto.

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O Desmascaramento

O escritório de Mestre Vane não era um santuário; era um cofre de extorsão. O ar pesava com o cheiro de incenso de contenção, um perfume que Kaelen agora identificava como o odor da própria estagnação. Ele não bateu. Ao tocar a madeira de carvalho reforçado, o Núcleo de Estabilização em seu peito pulsou, uma batida rítmica que sintonizou com o fluxo de éter da sala. O selo de proteção, projetado para drenar a vitalidade de qualquer intruso, colapsou. A barreira, antes uma muralha invisível, desfez-se em faíscas inúteis.

Vane, sentado atrás de sua mesa de mogno, empalideceu. Ele tentou se levantar, mas a gravidade da sala, agora manipulada pelo Núcleo de Kaelen, dobrou de peso sobre seus ombros. O mestre caiu de volta na cadeira, o rosto contorcido em uma mistura de choque e pavor.

— Você deveria estar exausto, Kaelen. A servidão perpétua deveria ter drenado sua medula até o pó — Vane gaguejou, as mãos tremendo enquanto tentava, em vão, canalizar seu qi para restaurar a barreira.

Kaelen caminhou até o centro da sala, a luz fria de seu Núcleo iluminando os registros financeiros espalhados pela mesa. Ali, em tinta indelével, estava a anatomia da fraude: o desvio sistemático de méritos, a venda de posições para linhagens menores e a submissão descarada da Academia a uma seita externa. Kaelen jogou um cristal de memória sobre a superfície. A projeção holográfica exibiu o fluxo de vitalidade drenado da Escada de Prata, não para fortalecer os alunos, mas para alimentar um reservatório oculto fora dos muros da escola.

— O senhor não gerencia a Academia, Vane. O senhor a saqueia — disse Kaelen, a voz desprovida de qualquer hesitação. — E o ciclo de ranking tem apenas seis horas e quarenta minutos restantes. Tempo suficiente para que o Conselho veja quem realmente está drenando o futuro desta instituição.

Minutos depois, a Praça da Ascensão fervilhava com a eletricidade estática de três mil cultivadores. O relógio de cristal acima do Conselho marcava o tempo que restava. Kaelen estava no estrado, o Núcleo de Estabilização pulsando sob sua pele como um segundo coração.

— Apresente sua evidência, Kaelen — o líder do Conselho exigiu, mas sua voz falhou ao notar a segurança do rapaz.

Lira, posicionada na tribuna, ativou o cristal de linhagem. O ar acima da praça distorceu-se, projetando os registros da seita. A dívida de 400 unidades de mérito, o chicote que Vane usara para prendê-lo, apareceu em letras vermelhas, marcada como uma transação fantasma. O murmúrio de choque da multidão transformou-se em um rugido de indignação. Vane foi destituído ali mesmo, arrastado por guardas que, momentos antes, obedeciam a cada palavra sua.

Contudo, a vitória teve um gosto metálico. Kaelen sentiu um olhar frio perfurar a multidão. Quando ele e Lira retornaram à sala do Conselho para formalizar a anulação de seu contrato, as portas de ébano se abriram com uma lentidão calculada. Não era um instrutor. Um homem envolto em vestes de tom cinza-metálico, com o emblema da Seita Superior gravado no peito, entrou. Ele ignorou Vane, que soluçava no canto, e caminhou diretamente até Kaelen. O emissário não trazia ordens, mas um sorriso que prometia uma dor muito mais refinada do que a de Vane.

— Você quebrou o brinquedo mais útil que tínhamos aqui — o emissário disse, sua voz desprovida de emoção. — E agora, o jogo de ranking acabou. A verdadeira colheita começou.

Kaelen sentiu o Núcleo em seu peito vibrar, não mais em triunfo, mas em alerta. O contrato de servidão ainda o prendia, mas agora, ele não era mais um escravo da academia, e sim um alvo da seita. A escada que ele subira era apenas o primeiro degrau de uma estrutura muito maior e muito mais perigosa.

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